ANITA WRIGHT TORRES CONCLUI MANDATO


MENSAGEM DE AGRADECIMENTO A ANITA WRIGHT TORRES

                                                                                                                                                                                                                                                                                            Anita W. Torres_n2

Tenho o prazer de conviver, dentro da Igreja Presbiteriana Unida do Brasil, com a filha e representante do reverendo Jaime Wright, a quem biografei buscando o melhor que podia fazer para fixar a memória libertária de um homem extraordinário – que por acaso conduziu nossa igreja, como secretário geral da IPU, assumindo a grande luta pelos direitos fundamentais do homem, da mulher e da criança, e pela restauração da democracia em nosso país, quando dominado pelo autoritarismo fascista (1964-1985) –, esperando ter consagrado a importância histórica do personagem ecumênico mais importante do século passado, no Brasil, não por acaso pai de Anita Torres.

Sou agradecido a Anita Wright Torres pelo apoio que nos concedeu durante seu mandato, como moderadora da IPU, e por ter-se empenhado em manter a paz, acreditando em melhores dias, dentro de uma igreja que se escondeu de suas responsabilidades, conforme os compromissos históricos assumidos no passado, mas estranhamente negados no presente. Igreja inclinada a legalismos eclesiásticos, regulamentos disciplinares inúteis, dos quais parece não ter-se libertado quando, aparentemente, saiu do autoritarismo da IPB.

Embora com pouca repercussão, Anita, em silêncio, apoiou também aqueles que procuravam reacender das cinzas as principais bandeiras da IPU, por exemplo: as propostas de autoria de João Dias e dos demais combatentes ecumênicos históricos, dentro da IPU. Apoiou o ensino teológico, abandonado e escorraçado dentro de nossa igreja nacional, a qual abertamente rejeita a possibilidades de formação teológica para novos pastores e alicerçamento teológico de lideranças nacionais. Não esqueceu as responsabilidades ecumênicas quanto à comunhão com igrejas cristãs, indistintamente. Não mostrou desinteresse quanto ao diálogo com religiões afro-brasileiras, e o compromisso com a democracia plena, que sempre estiveram na pauta da IPU.

Assuntos como economia e justiça, sociedade, raças, pobreza, políticas públicas, etc., estiveram por um fio para serem reconsiderados, quando esteve à frente da igreja, uma vez que estes temas compõem a verdadeira história da IPU. Acredito em suas dificuldades quanto ao conservadorismo e autoritarismo na igreja da qual foi moderadora – porém, tendências rejeitadas em seu presbitério e igrejas regionais, onde é ministra ordenada, por empenho na participação solidária e luta em favor de despoderados e marginalizados; de cidadãos sem vez e sem voz; no combate às ideologias capitalistas do momento.

Foi vista em vigília ecumênica em manifestações públicas da Comissão Nacional da Verdade, esforçando-se por representar sua igreja. Testemunhou oficialmente, diante dos nossos olhos, o sofrimento de seu pai, tio e demais familiares perseguidos pela ditadura militar. Não por acaso, uma vez mais, mas porque a IPU esteve ligada às responsabilidades do Projeto Brasil – Nunca Mais, através do rev. Jaime Wright, seu secretário geral, na época. Um elo importante, desse assunto, é também a memória de seu tio Paulo Stuart Wright, mártir presbiteriano, sequestrado, torturado e morto sob a ditadura militar.

Não esqueceu sua responsabilidade e colaboração eclesiástica diaconal e ecumênica, por exemplo, em projetos de igrejas locais, como a Ação Diaconal Ecumênica (ADE) e o Projeto Salve Sua Pele (PSSP), da IPU, nos quais participa com frequência diária.  Posso acrescentar seu interesse ético de combate ao racismo, à homofobia, à exclusão social e defesa dos direitos humanos e cidadania insurgente; luta em defesa de sem-terras, povos indígenas, autóctones pré-cabralianos, pois fazem parte de sua história, desde a juventude, quando esteve representando a IPU em El Salvador, na ocasião dos grandes conflitos políticos que açodaram a América Latina.

Por tudo que Anita tem feito, resta-nos admirá-la por sua dedicação eclesiástica, e por ter-se oferecido  para exercer conscientemente suas responsabilidades diante da Igreja Presbiteriana Unida, do ecumenismo nacional e mundial, e do presbiterianismo socialmente comprometido com as grandes causas do homem e da humanidade. Não só as mulheres, mas toda a população eclesiástica  da IPU lhe agradece pelo empenho em fazer de nossa igreja uma comunidade melhor, na memória de seus fundadores. Obrigado, Anita.

Derval Dasilio

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professor teólogo filósofo
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