A DIALÉTICA MULTICOLORIDA DA CORRUPÇÃO NO FUTEBOL


futebol o jogadorConcordo com em todas letras, pingos e “ís”, com quem aponta o erro da seleção na ausência de formação prematura, estudo, trabalho sistemático de observação sobre a evolução do futebol, e principalmente a promoção de convivência dos atletas numa seleção de base permanente. Em 4 anos, apenas, mais de 120 jogadores de Parreira a Felipão passaram pela seleção, desde a última Copa, na África do Sul. Por fim, a “legião estrangeira foi convocada”, sem nunca terem passado mais que 4 semanas juntos, antes de competições como a Copa da Confederações, e por fim a Copa do Mundo.

Jogadores, mesmo os mais competentes e habilidosos, necessitam conhecer seus parceiros por mais tempo, jogar com eles, perdendo (que proporciona o melhor aprendizado) e ganhando (que satisfaz tão somente o “ego” de um grupo). Os amistosos não ensinaram nada, porque serviram apenas para uma estatística fantasiosa, exaltando as “qualidades do jogador brasileiro”. A copa mostrou que tal coisa é uma falácia, uma ignorância quanto à evolução do futebol mundial. Equipes “insignificantes” no cenário mundial, da Ásia, África, América Central e Caribe, não só se apresentaram nesta copa no Brasil de  modo competitivo à altura das grandes equipes mundiais — Espanha, Itália, Portugal, Inglaterra  , como apresentaram um futebol surpreendente. Frase que ouço há 50 anos, no mínimo:  “não há mais bobo no futebol”.

Agora, vimos que Felipão tem somente um esquema, e estratégia, para utilizar jogadores chaves. Saem Thiago Silva e Neymar e desmorona tudo, porque as vigas da equipe não têm apoio segundo o que foi planejado estruturalmente para um projeto único sem variáveis.

Os treinamentos poderiam ter servido para ele testar umas quatro equipes e estratégias, conforme as possibilidades de “derrotas” possíveis. Numa competição como a Copa do Mundo, derrotas ensinam mais que vitórias. Teríamos perdido, porém honrosamente, e não encontrado o acréscimo merecido da “maior goleada da história da seleção”. Mas esse ponto é apenas a ponta do iceberg.

A montanha que vai navegando pelos oceanos destruindo o esporte de massa que mais alcança o cenário  mundial é a CBF. Mais de 60 anos, desde a CBD, cultivando dirigentes corruptos e desvios administrativos que perduram, no entanto enriquecendo uns e outros, proporcionando contas bancárias milionárias em paraísos fiscais, e acumulando uma esteira de aproveitadores necessitados de carrapaticidas e outros meios que exterminem parasitas que teimam em se alimentar da corrupção.

É lamentável, mas a corrupção faz do pais brasileiro um emaranhado para criar complicações invencíveis, num estratagema que, seguramente, privilegia grupos que ofuscam problemas, neutralizam ações insurgentes, reivindicatórias da distribuição de recursos para a população dos desprotegidos jurídica e socialmente. Uma herança proveniente do colonialismo, passando pelo império escravagista, e atravessando o século da república num esforço fulgurante para manter privilégios de classe e excluir ao máximo grau as possibilidades de cidadania igualitária das classes trabalhadoras. O futebol está fora da dignidade cidadã?

E no arcabouço do problema de administração e planejamento dos esportes de massa, culminando na realização de uma copa mundial, por enquanto, mesmo conspurcada por exceções e privilégios dos esportes diante da Constituição Federal, evocada, com relativa segurança, não esqueçamos: estamos no Brasil.  Aqui, a convivência com a corrupção oferece uma dialética multicolorida da ordem e da desordem, do lícito e do ilícito, do festivo e do sério — comparemos o Carnaval e o futebol –, do verdadeiro e do falso, domina o cotidiano tupiniquim nas sociedades civis e confederações desportivas. Nesse ponto, quanto à autoridade moral, como diria Caetano Veloso, a questão “é… mas não é” um problema resolvido. E estamos conversados. Ou não?

Derval Dasilio

Sobre Derval Dasilio

professor teólogo filósofo
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7 respostas a A DIALÉTICA MULTICOLORIDA DA CORRUPÇÃO NO FUTEBOL

  1. Eduardo diz:

    Se torcer, reduzir, enxugar, cortar o palavreado que parece aqueles longos discursos cubanos, temos exatamente o quê? Nada! A DIALÉTICA MULTICOLORIDA DA CORRUPÇÃO NO FUTEBOL é nome de fantasia para um escorregar na maionese do nada.

    • derwal diz:

      Ué… Que é que João Havelange, Ricardo Teixeira, são? A CBF é uma pára estatal, se não nos enganamos. Está na área de cobertura do Tribunal de Contas da União, que cortou a trajetória dos dois, sogro e genro. Mas, contestar o título de um artigo não impede que estendamos as repercussões da má gestão no futebol, especialmente no que toca nas consequências dos arranjos que encobrem lavagem de dinheiro e clientelismo em paraísos fiscais, penso. Com a palavra um certo banco de Mônaco.
      Não entendi sua obsessão com o PT, inclusive no histórico da corrupção no futebol.

      • Eduardo diz:

        Não tenho obsessão pelo PT tenho pavor de comunistas, especialmente aqueles que em nome da democracia a subvertem. O PT é isso.

  2. Eduardo diz:

    Que introduziu a corrupção não foi o PT e muito menos a esquerda. Ambos aparelharam o Estado para tornar o eventual em fato do cotidiano. E se o PT ganhar as eleições, o bolivarismo será instalado e o Brasil retroagirá no mínimo uma geração. A primeira coisa coisa que irá para o brejo será a liberdade de imprensa.

  3. Eduardo diz:

    Esquece a ‘miudagem’, vá em cima da roubalheira do PT. Já que você mencionou o tribunal de contas, tem lá um processo que inclui a presidente Dilma como responsável pelo gasto com cheiro de locupletação de 800 milhões de dólares. PT e esquerdistas travestidos de democratas é isso. O petróleo é nosso, mas nos últimos anos a PeTrobrás é deles. Ano que vem vamos a forra, e aí quero ver o discurso continuar sem a grana rolar.

  4. Eduardo diz:

    Eduardo: Quem juntou dialética com futebol foi você, meu nome Derval. Aliás, uma impropriedade, visto que dialética não é. A menos que tomas o conceito como um bate bola de várzea.
    Derval: Como não? A fórmula clássica hegeliana, tese-antítese-síntese é atualizada, aqui, da seguinte maneira “paixão popular do futebol” X “manipulação de calendários esportivos em proveito de biliardários que mantém contas em paraísos fiscais” X “corrupção na CBF e FIFA”. Não pode?

    Uma interessante fábula chinesa conta que um homem garantia que seus escudos e lanças eram os melhores existentes. “Nada consegue atravessar meus escudos, e minhas lanças perfuram qualquer coisa, de pedra, madeira ou aço”, dizia o vendedor dessas armas antigas. Então, alguém perguntou-lhe: – “E o que acontece se suas lanças são lançadas contra seus próprios escudos?”. Foi assim com a seleção brasileira, enquanto nos arvoramos de ter o melhor futebol do mundo.

  5. Eduardo diz:

    Ilustre Derval, você vai de “Je ne suis pas Charlie” de Leonardo Boff?

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