A SAÚDE NA U.T.I.


derval  prto.brancoArrepiante entrevista de Salomão Schvartzman com o renomado médico Miguel Sroug sobre a “Saúde do Brasil na UTI…” Arrepiante? Sim, é de ficar com todos os pelos eriçados, ouvir as verdades desse médico sem papas na língua. Chega a ser comovente, ouvir o depoimento do dr. Miguel Sroug. Confira… Mas, atenção, o entrevistado defende os médicos, e não a população. A imoralidade política é apontada, e serve como escudo ao desinteresse do profissional da medicina pela população, apontando culpados que jamais serão punidos.

Suponhamos que os professores, como classe profissional, só aceitassem trabalhar em escolas devidamente equipadas e estruturadas para a prestação de seus serviços? Estaríamos no mesmo nível de crítica. O mesmo povo que reclama é o que elege políticos egoístas, preocupados com currais eleitorais, rebanhos que se satisfazem com um favorzinho, ou um emprego michuruca. Ou com a esmola de um programa de cestas básicas. Não creio que o Programa “bolsa família” se aproxime ao menos do primeiro degrau na escalada de soluções para a Saúde, no Brasil.

Aliás, como os demais povos nos países onde a corrupção é doença moral nacional, jamais acreditará na responsabilidade implícita do seu voto. Não acreditará que ao votar deve-se exigir uma atuação parlamentar pela erradicação da pobreza extrema, da fome e das epidemias cíclicas; exigir educação completa da alfabetização à universidade; exigir cuidados com o meio ambiente. Poderia ser consciente de que toda a população de Marrocos equivale à população brasileira submersa na miséria; que 600 municípios brasileiros, nos 13 bolsões permanentes de miséria e pobreza extrema, necessitados de água potável, esgotos, escola em mínima qualidade, saúde pública, e que é através do voto que se pode corrigir tudo isso. Será que interessa… Porém, ama criticar as safadezas, a corrupção nos acordos partidários, mas não preza a força e importância do voto.

Sem discordar do entrevistado, no diagnóstico geral, cruzar os braços e impedir a entrada de médicos estrangeiros, quanto ao objeto principal, saúde pública, não precisa de alteração. Sou a favor de que médicos de formação metropolitana sejam deslocados para o interior e exerçam a medicina no local onde endemias são mais frequentemente manifestas. Especialmente em trabalhos preventivos da saúde pública. Por que um médico, em sua formação nos grandes centros hospitalares — dispondo de equipamentos e medicina de ponta –, deve ser poupado de atender aos mais pobres, através de um contrato que dure no mínimo três anos, e depois decida o que fazer de sua vida?

No Brasil, 90 milhões de brasileiros vivem nas periferias das cidades, sejam elas grandes centros urbanos, ou médias e pequenas. Um pouco menos da metade aproximada da população nacional. No Centro, Norte e Nordeste estão localizados persistentemente, dezenas de bolsões de miséria por região. Devemos acrescentar as populações interioranas dessas regiões completamente abandonadas pela saúde pública. Não há hospitais, nem ambulatórios, nem agentes de saúde que atendam a estas populações. O mínimo que se espera é que haja médicos para a linha de frente no combate às endemias permanentes, mortalidade infantil, mulheres com necessidades pré-natais,  antes que a abordagem das doenças comuns nos centros urbanos. Ponto.

Sim, a saúde está na UTI. Mas a intensidade e presença de recursos humanos e materiais para a saúde pública continua a ser exigida. Começa pela presença de médicos, enfermeiros, agentes de saúde em grande número. Não como paliativos justificadores da atuação dos poderes públicos, mas como um meio para iniciar um grande movimento para atender às urgências da saúde pública no Brasil. Até que uma consciência política nacional descubra que são as “falsas prioridades” da política sem escrúpulos e sem responsabilidade social que desenha o layout do cenário da doença terminal da saúde. E que essa política corrompida, imoral, oportunista, seja resolvida pela própria população. Esta deve saber sobre a raiz do problema da saúde pública, e comunicar o que sabe e exige – com seu voto – a seus mandatários nas câmaras e no congresso. A solução começa nas urnas!

Derval Dasilio

Livro em preparo: Pedagogia da Ganância (Editora Metanoia)

Último livro publicado  Jaime Wright – O Pastor dos Torturados (2012)

livro jaime wright

Sobre Derval Dasilio

professor teólogo filósofo
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