A LUZ REVELADA NOS OLHOS DA CRIANÇA


OPINIãO

A luz revelada nos olhos da criança

Por que Deus quis nascer entre os homens? Por que há Deus, e não simplesmente o “nada”, a escuridão dos tempos? A palavra  “deus”, como as palavras “dia” e “divino”, não é de tradição bíblica. No sânscrito indo-europeu “deus” significa “luz”. A luz, de fato, é uma poderosa e complexa metáfora do divino. Ela é presente e discreta por toda parte, como o calor. Como o vento – metáfora do Espírito Santo – a luz é sutil, discreta, mas presente enquanto emana a vida opondo-se à metáfora das trevas (L. C. Susin). Mas não é só isso. A palavra “Luz” evoca a experiência bíblica e cristã do menino nascido em Belém, no coração da miséria (Is 9.2-27; Lc 2.1-14; 15-20).
As trevas, no entanto, são o símbolo do nosso tempo, e o lado obscuro da humanidade em todas as eras. Polaridade negativa. É verdade que nesta geração, como resultado de inovações tecnológicas, médicas, sociais, ideológicas e políticas, assistimos uma mudança notável na maneira como um vasto número de pessoas vive. Ao mesmo tempo, termos como: ideologia política, guerra mundial, holocausto, genocídio, terrorismo, guerra nuclear e choque ambiental, entraram em uso comum, tornaram-se uma influência na vida cotidiana das pessoas. O século 20 começou com 1 bilhão, e este já inaugurou 7 bilhões de habitantes no planeta Terra.
  • A luta terrível entre forças divinas regendo o universo – forças demoníacas que abrigam o poder, possibilidades que negam a vida – confunde o que se deveria pensar sobre Deus, diante de ídolos de poder, de conhecimento científico, de dominação religiosa. Para projeções de desejos de força, poder, e de medo, é melhor o nada. O vazio. A tradição cristã abraça esse nada e esse vazio, apontando em escandalosas expressões o que está no coração da Natalidade: “A Palavra se fez Carne” (Jo 1.14), “Esvaziou-se a si mesmo, e assumiu a condição da servidão humana” (Fp 2.7). 
  • Vítimas da impiedade vigente, o menino seria o Deus dos fracos como sua mãe. Da tipologia de Deus, agora no menino, o profeta garantia, no passado: “Eu habito em lugar santo, mas estou junto ao humilhado e esmagado” (Is 57.15). Portanto, não é olhando para os céus que ele é encontrado (Atos 1.10-11), mas no chão terreno onde a vida é aviltada. Não é zelando pela santidade, é no coração da miséria que o menino “nasce”, experimentando todas as fragilidades, injustiças, desigualdades, abandono e ameaças constantes de intolerância e exclusão. Frágil e mortal, sofria as condenações dos pobres desde o berço. Outro profeta disse que ele seria o juiz das consciências e defensor das causas perdidas: “Praticou o direito e a justiça […], julgou a causa do pobre e do indigente abandonados” (Jr 22,15-16).
  • A Natalidade do Senhor não é uma exibição de grandeza política ou religiosa. O menino não quis ser um ídolo e, como ele, Tiago disse: “O verdadeiro louvor e a verdadeira religião são o socorro ao pobre, ao órfão e à viúva” (Tg 1,27). Não há religião sem uma ética do cuidado, da misericórdia, da compaixão e da solidariedade. Voltada para o que sofre, o desprotegido, o que chora, que é abandonado, torna-se verdadeira.
  • A tragédia do não reconhecimento do desenho poético de Deus nos condena à perplexidade. No menino de Nazaré vê-se o lado mais sombrio e efêmero do  presente, que não só abandona os sofredores de injustiça, mas mergulha na impiedade. O mundo violento, egoísta, ganancioso, declara não depender de Deus, enquanto venera o Natal mercantilista e pagão. Muito menos mostra precisar do menino – e são as crianças que haverão de sobreviver a ele. 
  • No entanto, na voz melodiosa de Maria, a mulher: “a misericórdia de Deus continua de geração em geração… sua força dispersa os planos dos soberbos e arrogantes… derruba dos tronos os que detém poder, e valoriza a gente humilde que não tem com quem contar… cumula de alimentos os famintos, e manda os ricos para os quintos dos infernos… socorre o seu povo, conforme prometera no passado, recordando sua lealdade e fidelidade, para sempre” (Lc 1.46-55: paráfrase minha). Não há alegria maior, quando uma criança nasce para tal fim. Deus está conosco, “Jesus é a alegria do mundo”. Com a palavra o hino de J. S. Bach, que cantaremos em toda a sua profundidade e extensão neste dia de Natal, lembrando a solidariedade de Deus com os humilhados.
  • Aqui nos deparamos com o destino humano, perspectivas abertas, horizontes infinitos, sem nos privarmos do esplendor da vida em todas as suas manifestações. Sonhamos com paraísos, no menino. Construímos utopias. Como os sons e as tonalidades do Universo, podemos dizer que há um céu em nós, como há um sol e estrelas; que não há um “eu” sozinho, mas muitos “eus” compartilhando a vida criada por Deus. O evangelho da Natalidade do Senhor recorre à poesia, poder da imaginação, porque um poeta imita Deus quando recorre à eficácia das belas imagens do mundo ideal (Lc 1,46-55). Um mundo sem males nem dores, um novo céu e uma nova terra (Is 65.17-25; Ap 21,1). Diria que “um belo poema, como o da Criação e do Universo inteiro (Salmo 19), não é mais que uma maravilhosa canção de amor pelo mundo criado”. Só os poetas, e o próprio Deus, creem que a beleza do mundo inteiro, como nos seus mistérios, está nos olhos da criança. Neles, os céus declaram a poesia de Deus, e o firmamento declama a obra das suas mãos.

É pastor da Igreja Presbiteriana Unida do Brasil e autor do livro “O Dragão que Habita em Nós” (2010).

Sobre Derval Dasilio

professor teólogo filósofo
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7 respostas a A LUZ REVELADA NOS OLHOS DA CRIANÇA

  1. lucas diz:

    O professor afirma que o simboo de nossa era são as ideoogias do genocidio, guerra atomica, injusticas e intolerancia. ?Mas não é justamente isso que esta descrito no antigo testamento? todo o texto reflete a explicita condenação do impio, do pagão, as nações condenadas são as que “se prostituem com outros deuses” e optam por nao obedecer os designios do senhor. toda a biblia é sobre intolerancia religiosa, e quando a suposta orientação divina foi de nao deixar alma vivA NOs territorios dos “inimigos”, é claro que a orientação era sobre matar mulheres velhos e crianças, ou seja, genocidio. Estamos vivendo uma epoca com seus problemas intrinsecos, mas se voce acha que a guerra santa presente na biblia era etica e moral…
    outra coisa, a meodiosa voz de maria se referia a mandar ricos para os quintos dos infernos? quanto amor!
    lucas.couto@terra.com.br

    • Dessa vez concordamos. Você comentou o que eu escrevi e acertou na mosca. De jeito algum eu afirmo o contrário e uso suas palavras: “guerra santa na Bíblia era ética e moral”. Mas digo sobre a honestidade da Bíblia, que não esconde o quanto a civilização oriental judaico-cristã se assemelha aos poderes políticos dos impérios que os dominaram (Egito, Assíria, Babilônia, Pérsia, Grécia Macedônica, Roma). Na modernidade, começando com Napoleão (deixo pra trás Carlos Magno, idade média), Mussolini, Hitler, etc., vemos claramente o que esta civilização representa em termos de violência contra a humanidade. Na Bíblia, a diferença, meu caro, são os profetas, e todos precisamos lê-los para entender ética e moral, além de ler a história universal através de Toymbee ou Hobsbawn, que fazem mais justiça à evolução do Ocidente e suas violências culturais. Aí, nos profetas e nos evangelhos, está a rejeição à violência, ao poder tiranizado, à escravidão e à exclusão e desigualdades sociais… você leu? Está na Bíblia. A fé cristã se cristaliza em Jesus e nos apóstolos, profetas do Novo Testamento. “Suposta orientação divina” é uma boa… foi vc que escreveu, não eu. Mas concordo: SUPOSTA!!!

  2. lucas diz:

    Sim, “suposta” porque parto do pressuposto que não há o sobrenatural. A historia da humanidade é essa, o grupo dominador subjugando o dominado, em posição inferior por uma diversidade de fatores. E sempre violentamente…faz parte de nós, somos primatas. Evoluimos o suficiente para deliberar sobre o que é certo e errado, mas considerando os 100 mil anos história da raça humana, tudo indica que sobrevivemos e chegamos até aqui não por ajuda ou orientação divina, afinal de contas não se tem noticias do Deus de Abraão em todo esse período anterior a qualquer monoteismo. Quando o homem conseguiu criar deuses,eles eram as forças da natureza, o desconhecido, o misterioso. Mas…de que profetas voce fala? Isaias serve como ética e moral e não violência? Ate quando ele louva ao Senhor por punir seu povo pecador com braço de ferro e, graças a sua ira, há cavaderes na rua como lixo. Ate quando Senhor? Respondeu-me “ate ficarem desertas as cidades!” “Com a ira do Senhor dos exercitos o povo virou lenha desse fogo” . Isaias 14: 2- A casa de Israe os possuirá, fazendo-os escravos e escravas…dominarão aqueles que os dominaram” (ops!). Isaias 14:21 ” Decretai, Senhor, a matança dos filhos por culpa dos pais!” (aparentemente a filosofia do justo pagando pelo pecados ocupa todo o livro). Isaias 31:33 – “…o castigo que o Senhor lhe aplica, será ao som dos tamborins, pois em guerra santa esta combatendo/!” . Isaias 33-12- os povos serão queimados como se faz com cal”. Isaias 37:36 “O anjo do Senhor saiu peo acampamento assírio provocando a morte de 180.000!” e no final , a chave de ouro 38:19 ” Senhor, cada pai contará a seus filhos TEUS GESTOS DE AMOR SEMPRE FIEL”. quanto amor, mas dificil de entender, ne?
    Lucas.

    • Não disse nem pretendo dizer que os autores bíblicos tinham preocupações paleontológicas, geofísicas, arqueológicas. Também não disse que a história da “raça humana”, por inteiro, é alcançada pela Bíblia, e que ela é “inerrante”. Tenho dúvidas fundamentadas de que as ciências, sejam as naturais, geofísicas, do comportamento e das tecnologias, ofereçam uma palavra final sobre o ser humano e o próprio universo. Vc exagera, quando nivela conhecimentos científicos da história com a escritura bíblica (mesmo a que é examinada cientificamente com os instrumentos científicos disponíveis para tanto). Vc é ideológico, ateista, contra o sagrado. Eu não.

      Assim como vc tem o direito de se manifestar, embora equivocadamente, estupidamente, atribuindo à Bíblia um papel de análise sobre geologia, história social da humanidade(que ela não pretende ter, em nenhum momento), também eu me manifesto como crente no transcendente, no que o homem e suas ciências não alcançam, e não meramente no sobrenatural. Creio, sim, no Deus que criou os céus e a terra; que sustenta a vida e o universo criados; creio que Deus é Salvador, pois a humanidade toda envolveu-se em projetos de destruição, do mundo e de si mesma, e que não há ciência alguma, ideologia, religião, política, economia, capaz de salvar a humanidade. Recuso o nihilismo e o determinismo científico em sua negação do transcendente, apoio para a fé e a esperança de salvação. Vc também não conhece todas as ciências, provavelmente, enquanto destaca conhecimentos dos quais pouco sabe… como eu mesmo. Não ouso conceituar o homem e o universo como meros objetos do conhecimento científico (aliás, verdadeiros cientistas, físicos, paleontólogos, arqueólogos, são, via-de-regra, mais humildes que ateístas que pegam emprestadas polêmicas vencidas há mais de um século a respeito da compatibilidade da ciência da natureza com as ciências bíblicas).

      Não estou contente com o mundo que as ciências históricas e sociais também procuram desvendar (e fazem isso com competência espantosa, com realismo e certificado idôneo reconhecido pela comunidade mundial). Ignorando a psicologia profunda que nos remeterá a uma herança ancestral do mais remoto tempo da história humana neste planeta, atavismos, instintos de violência e poder, que vêm acompanhando o homem em sua brutal trajetória na história da humanidade, creio que não movemos um passo sobre o que mais desejamos, em termos de liberdades humanas. Um mundo sem misericórdia e sem compaixão é descrito por estas ciências. Mas estou seguro que os modelos de gratuidade, bondade, misericórdia, compaixão, solidariedade, amor ao próximo, segundo os melhores modelos bíblicos, apontados na denúncia que a própria Bíblia faz do Mal existente, indiferente ao conhecimento e à ciência que o leitor parece venerar como a uma divindade, são exemplares e dignificantes. Sou dos que esperam a salvação. Em Deus, em Jesus Cristo, seu filho. E não no conhecimento científico. Se vc me dá licença…

  3. Anónimo diz:

    Última Resposta: A conciliação está na hermenêutica, e não na literalidade. Não se pode ler qualquer profeta sem a análise linguística ou sem considerar o estilo literário. Ninguém lê Neruda ou Garcia Marques sem considerar as imagens e metáforas poéticas ou a narrativa do realismo fantástico. São instrumentos obrigatórios para qualquer exegeta. Sua visão literalista dos textos corresponde ao gosto fundamentalista pela leitura de superfície, desconsiderando épocas e acontecimentos históricos paralelos. Quem dispensa a leitura cultural, os cenários políticos, econômicos, sociais, nunca saberá o que resulta da arqueologia e as possibilidades antropológicas para se conhecer a história ancestral de qualquer povo. No nosso caso, o povo da Bíblia e suas peculiaridades. A fé cristã não depende da Bíblia. Eu, pessoalmente, não preciso da Bíblia para continuar crendo na transcendência do Nome Sagrado e na herança do povo eleito para testemunhar a fé salvadora, a qual é envolta pela esperança de transformação do mundo. Toda a história anterior, desse povo bíblico, foi construída sem a Bíblia. Qualquer pesquisador, sem preconceito, sabe que as versões modernas estão distantes dos originais, os quais foram construídos ao longo de 1.000 anos (até 2 mil anos atrás), provavelmente. Dou nosso debate por encerrado, e espero sua compreensão. Não haverá mais postagens aceitaveis sobre este assunto, uma vez que as repetições, da sua parte e da minha, nada constroem. Deixarei estes comentários e respostas por mais alguns dias, em seguida os deletarei, se achar conveniente. Decidirei oportunamente.

  4. CLAMOR QUE SOBE DAS PROFUNDEZAS

    “Quem és tu? Tu és um indivíduo entre outros sete bilhões de habitantes do planeta, compondo uma única espécie entre três milhões de espécies já classificadas, num planetinha que gira em torno de uma estrelinha de quinta grandeza, que é uma entre cem bilhões de estrelas, compondo uma única galáxia, entre outros duzentos bilhões de galáxias num dos universos possíveis, que vai desaparecer” (atribuído a Mário Cortella). Basta, até aqui, como lição a presunçosos racionalistas confiantes no mito do progresso irreversível do homo sapiens, ou creacionistas apologéticos incansáveis em defender quem não precisa ser defendido. Mas, “o homem supera infinitamente o homem”, também disse Pascal. Essa insatisfação não seria porque o homem quer ser o deus de si mesmo, como Voltaire sugeriu?

    Estamos cara a cara com a perene tentação de cair na dolorosa tensão entre o esforço e a comodidade, entre o egoísmo e a generosidade, entre o instinto e o dever, a sobrevivência e a ética. Como na árdua peleja entre natureza, instinto e razão, e negação da liberdade para o homem ser o que quiser ser. Ele luta dentro do próprio ser querendo emancipação e alforria para escravizar e subjugar os outros, seja pela ideologia política, econômica ou religiosa? A resposta é algo que se torna dramático, no choque inevitável e irrenunciável com os demais.

    Ninguém foi tão profundo na sondagem dos distúrbios e contradições do ser humano como Freud. Não fora ele, não aconteceria o reconhecimento de que somos governados por gigantes interiores, como o “inconsciente” voraz, uma fome interior insaciável; desejo sexual reprimido; medo de viver; ódio à oposição; agressividade cega diante de obstáculos reais ou fictícios; paixão desenfreada em várias expressões violentas e degradantes.

    Só quando nos sentimos tocados pelo mistério da “impossível possibilidade” da realidade finita de todos os homens e mulheres, e quando experimentamos o sobressalto diante da presença de um Amor infinito, dominante, contra as forças destrutivas, estamos em condições de intuir o sentido autêntico da pergunta sobre Deus, o homem e o universo, dirá Carlos Mesters: “Trata-se de uma intuição anterior. Em certos momentos da vida, essa intuição se faz sentir também em cada um de nós. Voz silenciosa, frágil, sem palavras, que sobe do fundo do inconsciente coletivo da humanidade, e nos diz: Deus existe, ‘ele está conosco, ele nos ouve; dele dependemos, nele vivemos, nos movemos e existimos. Somos da raça do próprio Deus’” (Atos 17,28). E o coração humano responde murmurando: “Sim, Tu nos fizeste para ti, e o nosso coração estará irrequieto até que repouse em Ti!” (Santo Agostinho).

    A finitude humana, contudo, distorceria o sentido, quando negada ou não compreendida. Dela provém uma espécie de terrível competição de carências, pela qual cada ser humano parece ver-se obrigado a se afirmar à custa dos outros. Assim, a criação de uma coisa somente é possível pela decomposição das demais; a vida de uns se sustenta à custa da morte de outros; a abundância se alimenta da pobreza; a felicidade própria pressupõe quase sempre a desgraça alheia, diz com acerto Andrés Queiruga.

    Esse desejo difuso universal contra as escravidões, esse murmúrio da alma, faz parte da vida, da natureza, do primeiro Livro dedicado a Deus, a Bíblia. E o desejo de Deus pede uma resposta urgente, pois as contradições da vida e os conflitos atuais, e a própria ciência (conhecimento científico), às vezes, levam a se dizer o contrário. Diante do terremoto recente no Haiti, imagens terríveis da natureza incontrolável, quantos fizeram a pergunta: “Deus, onde estás‘?”

    Castro Alves, reclamava da perversidade do homem contra o homem, do tráfico de escravos que desintegrou o continente africano, um holocausto que matou 20 milhões de seres humanos na colonização do Caribe e das Américas, gritou: “Deus, onde estás que não respondes?” Nietzsche dizia, diante da omissão e falta de testemunho verdadeiro “para que o mundo creia” (Jo 17,21): “Onde está o deus de vocês? A vida de vocês é a prova de que ele não existe”!; vocês que não respondem ao clamor dos oprimidos, através da misericórdia, compaixão e solidariedade.

    Como responder senão pelo discernimento ético; pela valorização da vida humana e ambiental; pela extensão do privilégio das tecnologias capazes de preservar o meio-ambiente, curar, alimentar, dar moradia e trabalho, libertar bilhões de pessoas no mundo inteiro. A velocidade do conhecimento científico e da técnica não deveria ser convertida em benefício, ao invés de representar uma capacidade autônoma de gerenciar o mundo e somente beneficiar privilegiados? Há reflexões importantes para responder à pergunta sobre o homem, o mundo e Deus. Luz na escuridão das eras, dos tempos, através de Jesus Cristo. “Veio para os seus, mas não foi recebido” (João 1,11).

    A Luz, de fato, é uma poderosa e complexa metáfora do divino. Ela é presente, discreta, por toda parte, como o calor. Como o vento – metáfora do Espírito Santo – a luz é sutil, discreta, mas presente enquanto emana a vida, opondo-se à metáfora das trevas (L. C. Susin). Mas não é só isso. A palavra “Luz” evoca a experiência bíblica e cristã no coração da miséria (Is 9.2-27; Lc 2.1-14; 15-20).

    E a parábola (Mateus 25,42-45: “Filho do Homem, quando te vimos?”) simplesmente responde: “Pois eu tive fome, e vocês não me deram de comer; tive sede, e nada me deram para beber; fui exilado, e vocês não me acolheram; necessitei de roupas, e vocês não me vestiram; estive enfermo e preso, e vocês não me visitaram’. Eles também responderão: ‘Senhor, (Filho do Homem), quando te vimos com fome ou com sede ou estrangeiro, ou necessitado de agasalho, ou enfermo ou preso e não te ajudamos? Ele responderá: ‘Digo-lhes a verdade: o que vocês deixaram de fazer a alguns destes mais pequeninos, também a mim deixaram de fazê-lo’ (Mateus 25,42-45)”.

    Derval Dasilio (Rascunho de Artigo)

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