RESSURREIÇÃO: CRISTO DOMINA OS PODERES DA MORTE


ESSURR        ONLINE – Publicado em /03/2009IÇÃO: CRISTO DOMINA SOBRE OS PODERES DA MORTE

 

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Mais um susto, depois do anúncio da Santa Ceia na avenida, no Carnaval. Batuque Pascoalino, Ressurreisamba, domingo, no culto da Páscoa na Igreja Presbiteriana! Participação de grupos de axé, pagode, etcétara e tal. Recebi o convite.  Ricardo Gondin escreveu: “Os tempos mudaram. A rebeldia dos jovens aquietou-se, os heróis políticos ruíram, o consumismo substituiu as antigas aspirações revolucionárias.(…) Aquelas drogas que entorpeciam e deixavam seus usuários num estado zen (Nota: ou estado axé; êxtase carismático) foram suplantadas por outras que ativam, energizam e potencializam. Substituíram-se os tóxicos que causavam torpor por outros que dão uma sensação de poder e de autonomia. Assim, hoje quase não se fala mais em heroína ou LSD. O que se oferece de muitos púlpitos pós-modernos não é o evangelho de Jesus Cristo, mas mera cocaína religiosa”. E assim, já descobrimos que a Ressurreição do Senhor, além de gospel, também dá samba, pagode, e correlatos. Ajuda a amortecer impactos sociais, amenizar lutas contra o racismo, via cruxis do Movimento Negro. A Paixão do movimento anti-racismo sugere que Ressurreição é cultura, sincretismo, e já não entendemos mais nada… Quem é carismático? Precisamos reorganizar a teologia essencial.

Da história de Cristo resultam horizontes interessantes, como alvo e como sentido: a fé justificadora; domínio sobre “mortos” e “vivos”; superação da morte enquanto inauguração do novo, da nova criação, da novidade de vida para tudo que é esmagado pela morte; glorificação de Deus por meio de um mundo que conheça a redenção. Os sofrimentos de Cristo deixam de ser “sofrimento para satisfação da divindade ciumenta, ciosa de sua autoridade soberana, enquanto irada com a desobediência humana”, como a decepcionante doutrina  medieval e escolástica estabeleceu (Anselmo, 150 d.C.), e como é ainda observada, hoje, equivocadamente. Sofrimento que ignora a ressurreição. Agora nos ensinam que a Ressurreição pode ser comemorada num “batuque”, com pagode e axé agregados. Leva-se um susto, mas há explicação.

 

A justificação na cruz é um acontecimento único, como um processo que inicia uma consciência envolvente de emoções íntimas sobre a misericórdia e compaixão de Deus (rahamin: solidariedade, sentimento nas entranhas, nas vísceras, no coração; sentimentos íntimos, etc.), começa com o perdão dos pecados  e termina com lágrimas enxugadas, em sua totalidade: Cumpriu-se o que Isaías dissera sobre o “servo sofredor” (cf. figura que Jesus, o nazareno, mártir, assume no NT, tipologicamente), sobre quem repousaria o pecado (estrutural, cultural!) de toda a nação de Israel: “Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados” (Is 53:5). E o profeta do Apocalipse completará: “Ele enxugará de seus olhos toda lágrima; e não haverá mais morte, nem haverá mais pranto, nem lamento, nem dor…” (Ap 21:4). Cristo é  o Deus fraco, esvaziado de poder, para solidarizar-se na fraqueza de todo homem e de toda mulher esmagados pelos poderes deste mundo.

 

Os sofrimentos de Cristo mostram-nos um Deus humano e solidário: é Deus que está conosco, inclusive nos sofrimentos! Em Jesus Cristo, Deus caminha e sofre conosco. Solidariedade, vicariedade, martírio, ressurreição, renascimento, são dimensões divinas que se devem observar. Pecados estruturais (economias seletivas, políticas elitistas, religião mancomunada e subserviente), assim, constituem um grande desafio para as comunidades cristãs, hoje e sempre. A Igreja é também pecadora, diriam Calvino e Karl Barth. As consequências dos pecados da sociedade, impondo a opressão, mancomunando-se com poderes  rebeldes e escravizantes, como a economia, a política e a religião, unidas em pecado contra os direitos fundamentais da pessoa humana e dos povos, mostram-nos as razões do sofrimento do Cristo solidário com os oprimidos, os que não têm dignidade, paz e justiça. A mensagem fundamental do evangelho é a Graça, e não o pecado religioso, moral, individual, a ser redimido, finalmente.

 

A Páscoa da Ressurreição ensina sobre o sofrimento com causa, jamais se associa às alegrias causadas pela cocaína espiritual, carismática, com gospel ou com samba, de nossos dias (penso eu).  Com samba, axé, rock, funk, gospel, e tudo que se acha com direito de anunciar-se como “ressurreição”, nos arriscamos à confusão: Chega de Sofrer (Edir Macedo); Ressurreisamba (uma Igreja Presbiteriana). Contudo, na sociedade brasileira, a ambíguidade prevalecerá, apesar do jeito axé ou gospel que adotamos. Negros, pardos e indígenas organizam-se politicamente para debater questões de raça. Certíssimo. Já o saber estético-corpóreo não passa apenas pela cor da pele, disse a professora Nilma Lino Gomes, da UFMG, mas à forma como o corpo reage no mundo, com seus ritmos, toques, gestos, cheiros, cores, exigindo posturas libertadoras. Vale para todas as cores de pele. O sofrimento, a cruz, proclamam:“Ele foi traspassado pelas nossas transgressões”.

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Derval Dasilio

Pastor da Igreja Presbiteriana Unida

 

 

Sobre Derval Dasilio

professor teólogo filósofo
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Uma resposta a RESSURREIÇÃO: CRISTO DOMINA OS PODERES DA MORTE

  1. Eduada diz:

    Não gostei dessa pesquisa.Desculpa mas foi pésima.
    Eduada
    duda_bvb@hotmail.com


    Eu também lamento muito, por você. E não é uma
    pesquisa, é um artigo sobre a Ressureição de nosso senhor Jesus Cristo
    e seus significados teológicos, não-racistas, não-exclusivistas, não-culturalistas.
    Fica pra outra,
    Derval
    Em Tempo: Não sabendo se o artigo todo lhe desagradou, ou se foi a referência à manipulação cultural a que me refiro, e que não
    merece contemporização teológica, pois ninguém é dono da fé original, arrisco-me a citar uma das minhas idéias: “E assim, já descobrimos que a Ressurreição do Senhor, além de gospel, também dá samba, pagode, e correlatos. Ajuda a amortecer impactos sociais, amenizar lutas contra o racismo, via cruxis do Movimento Negro”. Ou seja: Não interessa saber se Jesus Cristo foi negro, pardo, amarelo ou vermelho. Vale mesmo é sua mensagem para a Humanidade inteira, sem dúvida alguma corrompida e desviada do projeto original, segundo as Escrituras.

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