MORTE EM MEIO À INJUSTIÇA E CORRUPÇÃO


ADVENTO – 3o.DOMINGO – ANO B

 

MORTE EM MEIO À INJUSTIÇA E CORRUPÇÃO

A missão do Messias, tal como percebida pelos profetas, com séculos de antecipação, cristaliza os conceitos de Evangelho e de evangelização (João 1,6-8;19-27).  Denunciando a injustiça, João Batista é o primeiro a morrer. A meditação demorada de Jesus, leitura orante, fazia-o seguro de que cumpria as Escrituras. Apresentou-a na sinagoga como um sinal claro de messianidade, e ante a comissão oficial que veio perguntar-lhe se era o Messias. Aí está: O Messias de Deus vê que o povo é vítima da voracidade e da indiferença da elite corrupta que exclui o pobre e o faminto; o desabrigado; os que não podem nem mesmo comprar os animais para o sacrifício de expiação no templo. Os dirigentes devoram os bens do povo, o erário, o que é arrecadado em impostos (inclusive o religioso), associados aos membros da elite econômica que exploram, perseguem e matam irmãos e irmãs em razão da ganância reinante; os que têm a função de guardar a vida do povo, pastores, sacerdotes, líderes religiosos, estão mancomunados com os ricos que correm atrás de seus interesses particulares (Shigeyuki Nakanose, Como Ler Isaías).

 

Pessoas justas, como João Batista, estão sendo assassinadas porque, em nome da justiça de Deus, denunciam os crimes dos governantes e das elites, ao mesmo tempo em que se recusam a cumprir as leis injustas do Templo e do Governo, enquanto eram escorraçadas pela sociedade e pela religião (cf. Gandhi e Luther King Jr; Mandela; Jaime Wright).

 
No momento em que escrevo, no ES, noticia a imprensa: “Operação prende magistrados no ES e faz devassa no Palácio da Justiça do Espírito Santo. São 7 mandados de prisão. Investigação apura envolvimento de desembargadores. O presidente do Tribunal de Justiça, juntamente com alguns outros desembargadores, foi preso, acusado de participar de uma quadrilha de juízes instalada no órgão máximo de justiça do Estado do Espírito Santo. Uma alto magistrado, por mandato judicial, foi preso em sua residência, enquanto a PF apreendia, no local, tanto dinheiro que foi necessário o uso de uma máquina do Banco do Brasil para contar. Por várias horas”.

 

Enquanto isso, o drama da miséria, na corrupção, da ausência de cidadania e direitos fundamentais; o drama da religiosidade atrofiada, transparece na  messianidade de Jesus. Os servos de Yahweh, serão lembrados pelo Messias de Deus. Os que passam fome e sede gemem de angústia e sofrimento, mas a situação vai mudar. Uma sociedade com fortes contrastes e injustiças, controlada por mecanismos que associam a religião com a política e a economia, convence-se de direitos consuetudinários, e posterga as transformações necessárias. A sociedade recusa-se a ver, ou não demonstra interesse pela realidade ocupando-se com o falso moralismo, antes que da ética, éthos que dá ordem ao caos social. É exatamente o que se vê nos dias atuais, quando as formas e mecanismos transmudam aparentemente, mas não se movem interiormente para as mudanças necessárias. O conflito é inevitável.

 

Hoje, quando há quem pense que estamos em posição bem diferente  daquela sociedade denunciada por João Batista, o que se observa é apenas uma mudança coreográfica: muda-se o cenário, instrumentos cênicos, fumaça de gelo seco, spots, holofotes, para enfocar detalhes. As personagens são as mesmas de sempre e o roteiro permanece inalterado. O drama dos oprimidos continua. João Batista nos recordará, neste domingo, que o menino do presépio em Belém não é apenas uma história piedosa sacro-romântica, sobre heróis da Bíblia, que os autores construíram com carinho e cuidado, visando comover o observador.

Sobre Derval Dasilio

professor teólogo filósofo
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