PAI, PERDOA AS NOSSAS DÍVIDAS


maos-que-ofertam.jpgPAI, PERDOA AS NOSSAS DÍVIDAS…A parábola do servo miserável (Mt 18,34), é exemplar: “Servo miserável, perdoei-te toda a dívida porque me pediste, não devias também compadecer-te do teu companheiro?” O evangelho também estabelece a medida: “se não perdoardes … o Pai também não vos perdoará as vossas ofensas!” (Mt 6,14-15). “Com a medida que medirmos seremos também medidos”(Mt 7,2). Acho que está na hora de jogar fora nossas trenas, metros, réguas. A coisa está feia para o nosso lado. No plano pessoal, que inevitavelmente se reflete no social, para nós que cultivamos o sentido da justiça retributiva, meramente humana, temos a frase pronta: “Aceito as desculpas, mas quem perdoa é Deus!”. Ou, “prefiro morrer que perdoar”. O Dala-Lama, porém, ensina: “Somente aquelas pessoas que criam problemas para nós nos dão a oportunidade de praticar a tolerância e a paciência”… é claro que isso se estende ao perdão.Dietrich Bonhoeffer, mártir do cristianismo sob o nazismo, ajudando-nos a entender as implicações da espiritualidade cristã a respeito do perdão, diferenciando-a da psicologia terapêutica: “a psicologia conhece a miséria, a fraqueza e o fracasso das pessoas… mas não conhece a impiedade humana!” Duras palavras, e ele acrescenta: “…a pessoa se arruína exclusivamente por causa do pecado, do desvio do mandamento de Deus (cf. acima); só poderá se curar pelo perdão”.

Citei um bocado de gente importante, teologicamente, não é verdade? Mas, o que significa, de verdade, perdoar? Creio que se trata de algo que só nós podemos fazer, ninguém pode perdoar em nosso nome. O contrário acontece com o evangelista, que nos disse: “aquilo que ligardes na terra será ligado no céu”. Logo, ao afastarmos a amargura, o sentimento de retaliação ou represália, de vingança, alcançaremos uma grandeza que só o evangelho nos concederá. E nos elevaremos, e de cima, abstraindo-nos do mal que sofremos pelas ofensas originadas de tantas situações, poderemos contemplar o ofensor com os olhos da tolerância e da misericórdia. O ofensor está preso ao seu ato, tem de reparar o mal feito de alguma forma, ele pecou contra o irmão. Isso é uma dívida para ser ressarcida em qualquer tempo.

Perdoar é reconhecer uma abertura infinita, em nós e em quem nos ofende, por isso não se pode reduzir a questão a um virar as costas e ignorar as conseqüências da ofensa. Perdoar significa libertar o ofensor de sua dívida, mesmo quando o mesmo não deseja sair do compartimento em que está preso. É permitir que o amor flua de novo, sem torneiras fechadas; é permitir que a generosidade tome o lugar da avareza que temos de entregar ou repartir o amor que recebemos do Pai. Por isso oramos: “Perdoa as nossas ofensas assim como perdoamos os nossos devedores… e não nos deixes cair em tentação (de não perdoar), mas livra-nos do mal”.

Sobre Derval Dasilio

professor teólogo filósofo
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3 respostas a PAI, PERDOA AS NOSSAS DÍVIDAS

  1. FILÓSOFO diz:

    O professor Luiz Bazílio, escreveu sobre organizações cristãs voltadas para a questão do perdão: ESPERE:

    As ESPERE são espaços comunitários de encontro renovador onde os participantes aprendem a transformar os ódios, raivas, rancores e desejos de vingança. Perdoar não significa manter crimes impunes. Subjacente a esta proposta temos o conceito de “justiça restaurativa” … que é um longo assunto. Que acham? Trata-se de uma experiência de vida e transformação iniciada na Colômbia – Bogota. A questão lá é a seguinte: com a guerra civil (Contras X Governo X Narcotráfico) muitos crimes bárbaros passam a ocorrer neste país. Violações sérias e de profundo impacto nas vidas: filhos assassinados friamente na frente dos pais, violações, desespero. Sobretudo no campo onde se dá a disputa territorial e política destes diferentes interesses.Gente que teve casa e família destruída migra para a capital – Bogotá. A periferia da cidade enche de pessoas com grandes problemas: econômicos (desterrados); culturais (desenraizados); afetivos (enlutados). Verifica-se que os jovens não conseguem mais sonhar com um futuro: e como pensar em futuro e justiça em um quadro destes?Neste contexto, a prefeitura de Bogotá resolve investir numa iniciativa que vinha sendo desenvolvida por grupo religioso. Quais os princípios das EScolas de PErdão e REconciliação? (esta é a minha interpretação pessoal)1. Sem reconciliação não há futuro; 2. os ódios nos paralisam, nos fazem mal, nos deixam doentes; 3. o ódio, raiva e desespero nos roubam a felicidade e nos fazem multiplicadores da violência; 4. perdoar não é esquecer, é recordar com outros olhos; 5. fazer justiça não é castigar mas recuperar o ofensor; 6. A sua verdade sobre a violência talvez não seja a única interpretação possível; 7. Algumas vezes é possível repactuar buscando novas formas de convivência.Muito bem, estes são alguns princípios que estão por baixo da metodologia que é empregada nos encontros. Esta metodologia é que é o “pulo do gato”! A forma como te envolve, faz rever fatos de sua vida, como se estabelecem diferentes narrativas…

  2. ESTÁ NUM TEMA DO ORKUT, NUMA “COMUNIDADE EVANGÉLICA”

    Pergunta:- Porque é tão dificil perdoar?Eu vi essa pergunta em um outdor na propaganda da revista comunhão, não cheguei a comprar a revista masachei qseria um tema interessante pra ser discutido… Lembremos q Perdoar e diferente de desculpar, quando voce perdoa esquece-se completamente do acontecido e confia-se novamente na pessoa, desculpar e facil, vc desculpa a pessoa mas a partir dai so cumprimenta a pessoa e pergunta se ta td bem por educação…

    R – Isso realmente é difícil… Grande tema…polêmico tbm hein!!! Bom… eu axo q perdoar, só kem perdoa msm é Deus…Mas desculpar…tbm é mt difícil,pois mtas pessoas são orgulhosas e preferem ser orgulhosas a desculpar ou até msmo “perdoar” alguém…É isso ai q eu axo…Valeus…

  3. Como se pode ver, há correções gramaticais
    importantes, a serem feitas. Como pessoas
    cristãs que se relacionam com outras… aí a
    irresponsbilidade é tocante. Pelo que sabemos,
    o que se comenta acima não foi aprendido numa
    igreja cristã… menos a gramática. Chega a doer…

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