Derval Dasilio – Escritos&Artigos

O autor e suas reflexões

JESUS ENSINA NO SERMÃO DA MONTANHA E OUTROS LUGARES

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O QUE JESUS DIZ DE SI MESMO? O QUE ENSINA JESUS?

Surpreendentemente, esta página é a mais lida, entre as restantes deste blog. Inclino-me a completar os textos, e construir um livro sobre o assunto. Obrigado aos leitores pelo interesse mostrado, esta parte da biografia de Jesus é realmente empolgante.

Estas perguntas fazem lembrar outras: “como se poderia ver e falar de Deus e sua justiça na vida moderna e nos lugares onde os jovens trabalham, estudam e vivem”? Respondo: – Não vê e não fala quem não quer: Jesus Cristo é Deus em carne e osso. Deus, assim, é um rapaz que entra em contato com homens e mulheres para partilhar de sua vida em total solidariedade; nasce filho de mãe solteira e é adotado por José, modesto carpinteiro de um lugarejo detestável, cuja população, irmãos e parentes, ameaçou apedrejá-lo. Seu público freqüente não estava na “mídia” da época, nem freqüentava templos bacanas dirigidos por pavões de púlpito e tribuna, desses que sem microfone e playback não conseguem dizer nada. Ou pregam para si mesmos.Eram os pobres e aflitos; gente sem poder, desqualificada; mulheres – que nada valiam no ambiente bíblico, em estado de “impureza” uma boa parte de sua vida, porque até a menstruação era considerada um pecado! Prostitutas, doentes, cegos, coxos, aleijados, moradores de rua, mendigos, são os amigos preferidos, a quem jamais negava conforto, consolo e amparo.

Numa parábola expressiva (Lucas 14,15-24) – e o jovem de Nazaré contava histórias incríveis! – fica implícito que os bem-postos não se interessam pelo Reino de Deus, e que, de fato, os que estavam dispostos a ouvi-lo, em esperança de transformações espirituais, sociais, políticas, econômicas, eram as gentes maltratadas, oprimidas, enfraquecidas diante da sociedade e dos poderes dominantes. Mas Jesus garantia que estes desfrutariam do banquete da verdadeira Plenitude!

AQUI SE FAZ, AQUI SE PAGA. JESUS NÃO DISSE ISSO!

Quem já não ouviu essa expressão, por muitas vezes: “Aqui se faz, aqui se paga”? Quem seria o gênio farisaico que a inventou? Pode ter sido um daqueles que questionavam o Nazareno, a respeito de um suposto castigo imposto por Deus, derrubando uma torre e matando por esmagamento a dezoito habitantes da região da Galiléia: “-Deus havia se vingado da incredulidade dos galileus. Logo, os sobreviventes tinham que dar graças e converterem-se”. Jesus enfrenta os religiosos piedosos às avessas, crentes aos seus próprios olhos, desse jeito: “- Vocês são tão culpados como todos! Em Jerusalém, dentro do Templo, em todo lugar, vocês perecerão se não se arrependerem!”. A seguir, conta uma parábola, aquele jeitinho bom de comunicar do modo mais simples, com exemplo:“Um agricultor tinha uma figueira plantada em seu vinhedo, lugar para cultivar uvas destinadas ao fabrico do vinho. Disse, então, ao vinhateiro, seu auxiliar: – ‘Corte essa árvore porque ela é estéril. Faz três anos que não dá frutos’. O vinhateiro, então, pediu: – `Patrão, deixe que ela fique aí mais um ano. Eu cuido dela, limpo as ervas daninhas ao redor, coloco esterco. Quem sabe ela não dará frutos? Se acontecer o contrário, tu a cortarás”. E Lucas não diz mais nada sobre o que falava Jesus. E precisava? Gente boa, cristã, evangélica…? “Por que há tantos que gostam de colocar seus julgamentos na boca de Deus?”. Diria hoje Jesus para mostrar Seu desacordo total com o modo de pensar que transfere a Deus julgamentos humanos.

Para o Senhor Jesus, Deus não se vinga a cada instante, nem é amigo de enviar castigos a torto e à direito, como se aprecia falar, em tantos púlpitos ou aulas nas escolas dominicais. Se alguém não está de acordo conosco, e nem precisa estar, é bom estar de acordo com as Escrituras Sagradas. Elas não são o manual de um juiz, nem são leitura para tribunais, coleção de sentenças preestabelecidas, ou jurisprudência sobre punições de pecados e erros humanos. Certamente muitos não concordam conosco…A paciência de Deus, como a do agricultor, não tem limites, é capaz de esperar a vida toda para que nos convertamos ao amor e possamos dar uma resposta de amor voltando à frutificar…

Deus é o Paizinho, Abba, como dizia Seu Filho na Galiléia, ser humano como nós, pés na terra, como todo ser humano. O Pai de Jesus é Deus Maternal (Isaías 49,15), Misericordioso, Carinhoso, Cuidadoso, cheio de compaixão (cf. Bíblia inteira); é Paciente, ao contrário de nós, que estamos sempre prontos para resolver nossa impaciência “cortando” a vida do irmão, seja ou esteja ele, próximo ou distante. Que autoridade temos, se o próprio Dono da vida, e das árvores ameaçadas de esterilidade, não nos quer exterminar, dando-nos sempre oportunidades para receber adubo para raízes fracas, autorizando sempre a retirada das ervas daninhas que estão tirando o nosso viço; para nos livrar da improdutividade e da morte?

Quem disse que os “improdutivos” não oferecem quaisquer frutos por sua vontade, dando sinal de vida e resultados em alguma possível colheita? Lembremo-nos também que figueiras dão figo, e não uvas… “Corta fora, ela não dá testemunho!” Quem não é fraco, pecador, que use o facão primeiro! A paciência de Deus contrasta com nossa impaciência. Queremos ver logo os resultados, punir o que não corresponde aos nossos padrões; que tudo se resolva num instante, que o mal se acabe de um só golpe. Hoje, se pudéssemos, sairíamos por aí de moto-serra na mão… “Faz isso não, irmão! O Paizinho não gosta”, diria Jesus.

Nenhum de nós pode arvorar-se fiscalizador da vida espiritual alheia. Esta vida é, e vem, de Deus… No entanto, muitas vezes cresce lentamente, amadurece lentamente, e nem sempre produz o fruto desejado. Por que seria? Conhecemos uma planta lá do ambiente generoso da Serra do Cipó, lá nas Minas Gerais, chama-se “velózia nanuza”. Pois bem, ela é cheirosa e linda, nascendo na fenda inóspita das pedras das encostas rochosas das colinas. Que intenção divina esconde o Criador que faz brotar algo tão belo e perfumado da pedra bruta? Pois é nisso que creio: Da dureza dos nossos corações brota o impossível aos olhos dos incrédulos.

http://derv.wordpress.com/2008/04/17/creio-em-deus/

1.ONDE DEVERÍAMOS VER JESUS?

Vamos dar a palavra ao Salvador. Perguntaram-lhe certa vez: “Quando foi que te vimos como imigrante e sem-teto, e te recebemos em casa, e sem roupa e te vestimos? Quando foi que te vimos doente ou preso, e fomos te visitar? Então o que reina (no Reino dos céus) lhes responderá: Eu garanto a vocês: todas as vezes que vocês fizeram isso a um dos menores de meus irmãos, foi a mim que o fizeram. Depois o Rei dirá aos que estiverem à sua esquerda: – Afastem-se de mim, malditos. Vão para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos. Porque eu estava com fome, e vocês não me deram de comer; eu estava com sede, e não me deram de beber; eu era estrangeiro, imigrante, sem-teto, e vocês não me receberam em casa; eu estava sem roupa, e não me vestiram; eu estava doente e na prisão, e vocês não me foram visitar.Também estes (amaldiçoados, perplexos…) perguntarão: – Senhor, mas quando foi que te vimos com fome, ou com sede, como estrangeiro, ou sem roupa, doente ou preso, e não te servimos? Então o que reina (no Reino dos céus) responderá a estes: – Eu garanto a vocês: todas as vezes que vocês negaram quaisquer dessas coisas a um desses pequeninos, foi a mim que negaram” (Mateus 25,25-45).

No meio dessa gente esmagada, pisoteada, era onde ele exigia ser visto e visitado por seus seguidores. Deveríamos vê-lo, portanto, onde ele está, enquanto enviado em missão do Pai? Ou deveríamos vê-lo por trás de um balcão de vendas de indulgências, comércio da graça, negociação da salvação, onde a ganância torna-se virtude “evangélica”? Poderíamos, ainda, acreditar que ele está por trás do pastor arremedo de psicanalista, no púlpito ou no gabinete privado, que se coloca como intérprete dos céus para a solução dos problemas emocionais, bem-postos com sentimentos de culpa (e não do pecado da ganância), insaciáveis mas indecisos sobre o que vão gastar, diante de “problemas consumistas”, seus e de seus filhos? Se é assim, esqueçamos o que Jesus disse.

Ao menos sejamos honestos, rasguemos as páginas do Evangelho, esqueçamos Jesus, e sinceramente vamos cuidar de alcançar a graça barata que nos oferecem diariamente nas igrejas. As contas com Deus ficam para depois…

JESUS CONTRA O PRECONCEITO E A INTOLERÂNCIA

Quem é puro? Quem pode julgar, o religioso na aparência? Esta página estranha a muitas pessoas (Lucas 17,11-19). Especialmente as que exigem atestado de saúde moral para aceitar conversos à fé do Cristo de Deus. É chocante, já decorridos 2 mil anos desde que o Deus humanizado ingressou neste mundo de misérias, conflitos, preconceitos, intolerância, exclusão. O evangelho demonstra que o que aconteceu com o leproso, um dos símbolos da exclusão social e religiosa em Israel, pegou mal para os irmãos na fé que Jesus e os apóstolos professavam: dos dez leprosos, nove eram da religião judaita e um samaritano, abraçando o movimento de Jesus em favor do reinado de Deus – equivalente hoje um “macumbeiro”, umbandista, candobleísta, ou qualquer afro-religioso professante de alguma religião ancestral -  é o que aceita participar da vida de fé.  

O leproso, além de tudo “samaritano” (os dois valem como adjetivo negativo de qualidades religiosas, de descredenciado para a vida social, não nos esqueçamos). O samaritano, aqui, é um “leproso social”, duplamente desqualificado. Mas, quando percebeu que estava curado voltou louvando a Deus aos gritos e se jogou aos pés de Jesus, lhe agradecendo. Não imitou os outros nove, que preferiram a aprovação religiosa, reunindo-se à maioria, que antes os condenava à exclusão social. 

Quando o Evangelho coloca Jesus diante da fragilidade humana, vemos que ele percebe sua própria fragilidade, humanizado como está.  Ele é religioso, judeu, mas não pode submeter-se ao preconceito e à intolerância.  Ele se faz um excluído, fraco, discriminado,  esvazia-se e se expõe a tudo, esgota-se nas fraquezas de todos nós.  O que mostra o Evangelho: Deus se compadece de nós, vem ao encontro das nossas fraquezas, expressas nos preconceitos, intolerâncias, e traz a salvação exatamente no momento em que, desconhecendo nossas imperfeições,  entra de cabeça nas realidades dos homens e das mulheres: os mais frágeis religiosa e socialmente têm preferência. 

Ainda recentemente escrevíamos sobre um exemplo, relativo à questão da homossexualidade. Um assunto entrelaçado de confusões e preconceitos antes que de tratamento cristão sobre excluídos, segundo a proposta inclusiva do Senhor Jesus Cristo. A ética de Jesus nos fará observar os problemas de nosso tempo, lado a lado com os “leprosos sociais”: irmãos com a síndrome de down, irmãos drogaditos, usuários de drogas leves ou pesadas – compradas na farmácia, no bar, no supermercado, ou dos traficantes-, jogadores e consumistas compulsivos, sexoaólicos, alcoólicos, viciados, socialmente enfermos;  garotas de programa, prostitutas (ou trabalhadoras do sexo).

Reivindicando a participação da vida de fé, como os recebemos?  Por que não os colocamos lado a lado, sentados nos mesmos bancos nas celebrações, no culto e na vida regular das igrejas, juntamente com aqueles que não questionamos,  da nossa família, da comunidade, da sociedade:  blasfemos, bígamos, incestuosos, sexualmente imorais, bem-postos arrogantes, patrões que exploram empregados negando-lhes direitos sociais e trabalhistas; homens públicos, políticos, corruptos, defraudadores, sonegadores de impostos? Jesus cura pecadores -  em seu tempo, doentes eram considerados “pecadores”, ou “endemoniados”, conforme a doença, se física ou mental.

Os pecados que nos tornariam “inabilitados” para a vida de fé, inclusive aqueles constantes em “listas bíblicas”: violentos, espancadores domésticos de mulheres e crianças, mentirosos, impudicos, idólatras, adúlteros, depravados, travestis, gays, dragqueens, transformistas, transexuais, efeminados, sodomitas; ladrões, corruptos em todos os níveis, gananciosos, avarentos, banqueiros agiotas, bêbados, injuriosos, têm merecido nossa atenção, tão comuns, infelizmente, não tem tratamento igualitário, em nossas igrejas. Passa-se a peneira homofóbica nos homossexuais e engole-se sem discussão os restantes? Na metáfora do camelo e da passagem fiscal chamada “agulha”, que teria sido dita por Jesus, o critério religioso, “alfandegário”,  é tolerante com os “camelos da vida” e implacável com os pequenos, excluídos e sem poder.   Ou, silenciosamente nos declararíamos incapazes de reprovar os outros, levando em conta nossos próprios pecados, inclusive o preconceito e a intolerância, uma vez que as Escrituras, no Evangelho do Cristo de Deus, não definem graus de pecados, ou qualificam pecadores? Disse Jesus, ainda mais: “Quem não tiver pecado, que atire a primeira pedra”. 

João, o evangelista, conta que os dirigentes religiosos perguntam a Jesus: Não temos razão em dizer que “tu és um samaritano” e que tu estás louco (8,48)? Esta era a situação nos tempos de Jesus, judeu de nascimento, como encontramos no texto de hoje. Os leprosos viviam fora das cidades. Se habitavam na cidade, residiam em guetos, e conviviam com tribos, patotas, isolados do restante da população, não podendo entrar em contato com os demais, nem assistir às cerimônias religiosas. O livro do Levítico prescreve como haviam de se comportar. Entre samaritanos e judeus – habitantes do centro e sul de Israel, respectivamente – havia uma antiga inimizade, uma forte rivalidade que remontava ao passado distante: “Quem come pão com um samaritano é como quem come carne de porco (animal proibido na dieta judia, em razão da ‘impureza’ )”.

A palavra “samaritano”, também considerado um “porco”, impuro, constituía uma grave injúria na boca de um religioso judeu (equivale a dizer, entre cristãos: xingamentos impronunciáveis, porco, gay , prostituto, ou lésbica, prostituta, para as samaritanas,  e do ponto de vista do culto: macumbeiro, candobleísta, umbandista, espírita, e outros xingamentos preconceituosos do dia-a-dia, no cotidiano cristão). 

Atenção, pois, sobre os “leprosos” sociais e sobre os “leprosos” do diagnóstico religioso. Urge reconhecermos que Jesus estende a salvação preferencialmente aos rejeitados da sociedade em que vivemos, os desfavorecidos da vida. Essa fé parte da certeza que Deus Criador ama todas as suas criaturas e nada rejeita daquilo que fez. Aquele que é criado diferente não deverá ser rejeitado pelos homens, uma vez que foi radicalmente aceito e amado por Deus. Jesus oferece o critério fundamental para todos os relacionamentos entre as pessoas humanas. Trata-se do novo mandamento: “Eu vos dou um novo mandamento: amai-vos uns aos outros. Como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros” (Jo 13,34). O Evangelho nos informa, neste texto, ao lado do texto sobre os leprosos, de Lucas (Lc 17,11-19), que precisamos amar as pessoas excluídas, discriminadas, rejeitadas pela sociedade, da mesma forma como Jesus as amou e nos amou. Ele esvaziou-se de sua divindade para vir ao nosso encontro. Nós também devemos esvaziar-nos do preconceito e da intolerância, da religiosidade exigente de santificação exterior, apenas aparente.

Não podemos comportar-nos como “túmulos” caiados, por fora limpos, por dentro podres, fedendo a carniça. Por fora a apar~encia de justos, por dentro hipocrisia e iniqüidade (23,27-28). Ele assumiu nossa fragilidade; nós também devemos assumir a fragilidade das pessoas discriminadas. Ele se fez servo de todos; nós também devemos servir os irmãos.O que nos quer dizer o Evangelho? Creio que nos informa que devemos respeitar às vítimas do preconceito e da discriminação, e valorizar suas capacidades. Sua autonomia inclui o direito de exercer opções sociais, opções sexuais, opções religiosas, opções filosóficas e ideológicas. Devemos aceita-los, incluí-los na vida de fé. Jesus também respeitou os que não aceitaram seu projeto de salvação e de inclusão no Reino de Deus, como os nove “leprosos” da passagem que nos coube comentar no dia de hoje. Parece que sua preferência foi esquecer sua cura e salvação, voltando à comunidade original, enquanto reassumiam seus preconceitos e intolerâncias. Desprezando Jesus, mesmo assim não foram impedidos de retornarem às regras da exclusão, como agentes, esquecidos de que foram elas que os tornaram vítimas, um dia, do preconceito, da intolerância e da exclusão.
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Derval Dasilio
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JESUS, UM CIDADÃO RESPONSÁVEL
 

 

Nenhuma das imagens que conhecemos, edulcoradas como recheio de milkshake, açucaradas, caramelizadas, de um homem romântico, ingênuo, fora da realidade, faz justiça ao jovem de Nazaré. Jesus também não é um jovem boboca e alienado, no estilo da série de sucesso Malhação e do Big Brother, na Tv, onde se vendem sexo e pessoas sem qualquer pudor (ali, o uso do sexo como apelo para vender nem mais existe, a sexualidade dos jovens é a própria mercadoria).A imagem de Jesus se associa à figura do jovem cidadão responsável, paga impostos, aponta direitos sociais, humanos e jurídicos; figura que indica direito livre de exercício da cidadania comprometida, indignada, capaz de denunciar as chagas crônicas das desigualdades e das oportunidades negadas na exclusão de muitos, certamente a maioria. Os enfraquecidos pelos sistemas, pensares sobre a religião, a sociedade, a política e a economia. Jesus enxergava as veias abertas, donde escorria a vida para a morte, na sociedade de seu tempo, como diria Eduardo Galeano. E diz que no Reino de seu Pai não poderá ser assim: a Vida Plena é para todos. “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” (João 16,6), disse o jovem Jesus. O Reino é de Justiça, que significa igualdade de direitos à vida plena. E não há plenitude para um se não há plenitude para todos.Esse homem real, um jovem que viveu numa vila desinteressante do interior, teve conflitos com sua família (fugiu de casa aos doze anos para pregar sobre o Reino de Deus nas dependências do grande templo de Jerusalém; sua mãe, perplexa, custa a entender o que acontecia para que a missão entregue pelo Pai fosse cumprida). E seus familiares pediam prioridade e atenção que lhes caberia: E Jesus lhes disse para deixarem-no em paz, cabia-lhe entregar o recado do Pai aos seus “verdadeiros irmãos”, na amplitude fraternal do mundo.Para ele isso é mais importante que tudo: Quem estiver impedido pelos pai e pela mãe, e deixá-los para me seguir, é digno de mim. No casamento em Caná acabou o vinho, hora de ir embora… mas um sinal, a água, fonte de vida, é transformada em vinho para o brinde à renovação da vida, nos símbolos da ressurreição e da reconciliação com o projeto de Vida Plena, do Pai, desde o início. Sua mãe sugerira: a festa acabou! Ele praticamente diz: – “ao contrário, a festa da vida recriada, a libertação quanto aos poderes destrutivos da morte, está começando agora”: A nossa espera e ardor, transforma em plena alegria… , diz a canção libertária das nossas liturgias.Derval Dasilio
3.PAIXÃO E TERNURA MATERNAL EM JESUS

A imagem verdadeira de Jesus é a de um jovem real que experimenta as profundas contradições da vida de seu povo, na sociedade, na religião, na política, na economia, na cultura. Mas Jesus paga com sua vida a audácia que tem. Ele ainda “fala” da sociedade alienada do ter-sem-ser ou ter-e-aparecer!… Diante das realidades terrenas, que clamam por transformação, o moço filho de Maria ensinava também uma espiritualidade voltada para o amor do Pai, que ele chamava Abba, paínho, paizinho querido no jeito baiano, como gosto de dizer. Poderíamos pensar em outra forma, como dizemos mais comumente: Jesus chamaria Deus de “Paizão”. Tratamentos mais íntimos para com Deus são raros na Bíblia, difíceis de achar. Procuram-no mais como juiz, líder vitorioso de exércitos. Mas Jesus indica o Pai suave, que cuida de seus filhos. Ao mesmo tempo, voltava-se para o “outro” e a “outra” na relacionalidade fraterna para com os próximos e os distantes.
Ensinava a misericórdia (misere+cordis = ter piedade de coração, identificar-se nas necessidades dos outros, irmãos e irmãs, de coração; cuidado, solidariedade com o próximo e a próxima, de coração). Também evocava uma espiritualidade ecológica, coisa que nos falta muito, hoje. Respeito pelo ambiente natural (olhai os lírios do campo… vede as aves do céu…). A natureza é o exemplo do cuidado que devemos ter para com o mundo criado e conosco mesmos, que somos parte dessa natureza, sugeria Jesus (Mateus 6,28-29). Como um ambientalista pode esquecer-se disso?
O mundo de Jesus não permite o estrangulamento da ternura. Inclui a capacidade de sofrer o sofrimento dos outros (compaixão); inclui carinho e cuidado para com os oprimidos, a quem se negam direitos fundamentais. Na Bíblia, a palavra usada para mostrar a ternura de Deus pelos seus filhos e filhas é “rahamin”, que é igual à ternura de mãe; doçura carinhosa que vem das entranhas; amor uterino de quem gerou filhos e cuida dos mesmos desde o ventre, com doçura e carinho maternal. Jesus apontou um Pai que é assim.
As mulheres estariam mais capacitadas para entender o lado materno de Deus? Jesus, como os profetas, homenageia as mulheres quando lhes diz que o amor de Deus para com seus filhos e filhas é igual ao amor de mãe. Por isso não é errado dizer que Deus é um Deus maternal. Deus Pai que ama seus filhos como Deus Mãe. Os profetas do Antigo Israel disseram isso em várias ocasiões. Deus é uma “mãezona maravilhosa, carinhosa, protetora, cuidadosa, mestra do bem”!

Derval Dasilio

4.JESUS E A AMIZADE DE DEUS

Devemos nos lembrar da figura do amigo gentil, confidente fiel, porque também nos interessa: Jesus ensinou sobre a amizade de Deus pelos homens e pelas mulheres, apesar das desconfianças que temos uns com os outros e outras. Quem serve o Reino, como amigo de Jesus, não despreza os horizontes largos, as visões e os sonhos, os espaços abertos e as oportunidades de se reacender a chama da esperança, de novidade de vida num mudo que tanto necessita de utopias, jardins, lugares sonhados que precisam existir para que a dignidade dos homens e das mulheres seja alcançada nas mais elevadas medidas. Em igualdade! Os amigos de Jesus sonham com os novos Édens, jardins paradisíacos: o mundo como o vislumbrado pelo profeta Isaías (11,6-8), e depois por João: “um novo céu e uma nova terra”, um mundo sem dor e sem males, a bicharada livre e amiga: O lobo comerá com o cordeiro, a onça dormirá no mesmo lugar onde dorme o cabrito, a vaca e a ursa andarão lado a lado, o leão comerá com o boi, e um meninho os conduzirá, falava o profeta Isaías.

Uma terra cheia do shalom de Deus. Paz para os que têm fome: serão saciadas todas as fomes. Paz para os que têm sede, serão dessedentados de todas as sedes. Paz para os que não têm onde morar, morarão com Deus. Deus lhes dá lugar e com eles habitará para sempre. Paz para os que buscam a justiça, igualdade de direitos, o reinado da igualdade realmente chegará, pela Graça. Utopia (u-topos= um lugar que ainda não chegou) é, no Evangelho, o lugar da Plenitude.

Vida plena em igualdade de condições, para todos. Tem lugar mais lindo que este? E voltamos a perguntar: É possível falar de um mundo transformado, com novas feições, que terá o rosto de Deus em todo lugar? O Reino de Deus é possível? Os jovens responderão: Sim! Um certo Jesus, um jovem de Nazaré, coleguinha maneiro, nosso amigo e nosso irmão, testemunhado a sobejo na Bíblia, nos ensinou exatamente isso. Ele falou, então tá falado!

Derval Dasilio

5.SOZINHOS E PERSEGUIDOS? CORAGEM, EU VENCI O MUNDO…

Jesus havia projetado sua vida pública para anunciar os valores do reino como “Notícia Boa para os oprimidos”, e formar um grupo de discípulos que prolongassem aquele anúncio ao longo do tempo e do espaço (Jo 16, 29-33). A Última Ceia, de cuja mensagem testamentária este evangelho faz parte, era o final dessa caminhada. A traição, porém, também estava à mesma mesa. “Vocês crêem agora? Estão seguros de sua fé”? Quando os discípulos disseram a Jesus que naquele momento é que acreditavam ter ele saído de Deus, ele lhes respondeu com uma afirmação dolorosa. Para que eles “aterrisassem na realidade” – a covardia de todos nós. Disse-lhes o que lhes iria acontecer, como de fato aconteceu: “vocês se dispersarão e me deixarão sozinho”.

Jesus, certamente experimentou a solidão do abandono, mesmo a dos mais próximos. Na família ou na comunidade, a solidão é uma realidade que pode derrubar qualquer ser humano. Contudo, apesar do evangelista João ressaltar com realismo os traços humanos de Jesus, ele faz uma referência à “glória”. Doxa (glória), na língua grega, uma grandeza transcendente, um arrimo acima da realidade dos homens e das mulheres, seres humanos, demonstrando que Jesus não permanece “esmagado” pelas limitações de sua natureza humana, e assim pode servir-nos de exemplo de como sobreviver às ameaças de destruição, quando somos perseguidos. Uma lição de transcendência! Jesus, ante a solidão em que o deixam seus discípulos, recorre à companhia íntima do Pai. Jesus ora em solidão.

Tal conduta é uma lição. Para a pessoa ou para a comunidade. Não podemos ficar deprimidos pela solidão quando nos chega a perseguição. A solidão na perseguição, por não ser uma experiência desejada, traz consigo a carga negativa do abandono, da ameaça até o limite da resistência. Cada vez que somos ameaçados, mais devemos nos lembrar a lição do Mestre. É o momento de ativar no nosso interior a presença do Pai, que nunca nos abandonará. Esse interior é onde estamos sós, irresistivelmente solitários. Só a força das palavras de Jesus: “coragem: eu venci o mundo” nos permite continuar resistindo.
Derval Dasilio

6.JESUS E A ORAÇÃO DOS PERSEGUIDOSa1quaresma-1-jpg.jpg

Dos paradoxos que nos comprimem, a liberdade, como uma exigência absoluta, é muitas vezes envolvida pela perseguição. Rejeição, preconceito, discriminação, conformação, são ferramentas que induzem à solidão. Somos ameaçados e perseguidos porque combatemos a escravidão, é possível isso? Jesus sofreu isso, nós sofremos assim, também. O valor da oração, nesse momento, através da proximidade com Deus, não pode ser ensinado por ninguém. É uma interioridade incomunicável. Lutero reclamava disso, quando perseguido: Se nos quisessem devorar, demônios incontáveis. Cada um de nós é uma solidão respeitável, nesse aprendizado, na luta contra os demônios que nos perseguem.

Se compreendermos realmente o sentido do recolhimento ensinado por Jesus, entenderemos o quanto somos protegidos pela oração que nos liberta das misérias, das condições “realistas”, das visões da sub-humanidade que habita em cada um de nós, instintos incontroláveis, auto preservação, impulso de repelir a violência com violência. Pela oração que traz livramento dos demônios que nos perseguem, no modo de pensar coletivo, no senso comum que nos impele à superfície quebradiça de nossa natureza humana.

Por isso, aprendamos com Jesus, humano como nós, a respeitar-nos enquanto seres solitários, tantas vezes abandonados. É preciso que nos aceitemos como vulneráveis externamente, frágeis criaturas que somos diante dos poderes deste mundo (João 16,33). Mas que, ao mesmo tempo, uma transcendência insubstituível nos permite viver interiormente iluminados, fortalecidos pela sabedoria imanente no mundo, a qual nos diz, através de Jesus: Os demônios que perseguem vocês, no mundo maligno, não têm a última palavra. Disse Jesus: “tenham bom ânimo; eu venci esse mundo”.
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Derval Dasilio

7. JESUS DISSE: AMEM OS SEUS INIMIGOS
Lucas 6, 27-38

O perdão é a expressão máxima do verdadeiro amor. Quem ama, entende a pessoa que o agrediu, até o extremo quase absurdo da desculpa do Crucificado: porque não sabem o que fazem (Lucas 23, 34). Quem ama, é também capaz de reconhecer seus erros, reparar o dano causado e reconstruir a comum+união avariada. Contudo, como é difícil perdoar! Parece que no fundo do coração humano a tendência à violência, à vingança e ao se afastar é intrínseco ao dinamismo genético que não nos deixa vivenciar a experiência do amor em plenitude.

O perdão é um processo de conversão. Para chegar a ele é preciso viver uma profunda experiência de Deus. Somente Deus é capaz de perdoar e nos habilitar para o perdão. Por isso, o perdão é a graça por excelência, de Deus para com seus filhos.
Mas o perdão exige também um processo no ofensor: em primeiro lugar, tomar consciência do dano causado com sua ação, atitude ou intenção determinada. É importante dar-se conta das conseqüências dos atos. Do contrário, estar-se-ia apostando na impunidade. Em segundo lugar, é necessária a confissão pública (não somente no foro interno) da infração, como parte fundamental do processo de conversão. Isto implica conhecer-se muito bem o dano que se causou à pessoa-vítima e à sociedade, em nosso caso, à comunidade eclesial. Algumas pessoas dizem que basta pedir perdão a Deus. Mas, dessa maneira, o processo fica incompleto. Torna-se necessária a ação pública, a confrontação e o diálogo, ao menos com o confessor, que representa a comunidade eclesial.

Vem, em seguida, a reparação pelo dano causado. Em alguns lugares se diz que “o que quebra, paga e leva os pedaços”. Ficaria incompleto o caminho se não se reparasse moral ou materialmente o mal que se fez. Do contrário, o processo penitencial não produziria os efeitos desejados na pessoa arrependida. E na vítima e na comunidade não se cumpriria com o princípio básico da vida social, que é a justiça: dar a cada um o que lhe corresponde.

Requer-se, por último, o compromisso de não se reincidir na mesma falta. Isto não quer dizer que absolutamente não se volte a falhar. A condição humana é muito frágil e incerta. A fraqueza, a sedução e as tentações nos podem surpreender e arrebatar. Mas a decisão de não voltar a cair em falta deve ser inteiramente sincera.

O mundo, dividido pelas guerras, ódio e miséria, necessita de remédios estruturais profundos e relativamente definitivos. E é aí onde os cristãos somos chamados a colaborar com nosso grãozinho de areia.

Essa é a finalidade das leituras de hoje: Davi, que perdoa a seu inimigo Saul, tendo podido eliminá-lo sem maiores contratempos. Paulo, que nos chama a viver no espírito pacífico e de reconciliação do novo Adão. Jesus, que nos convida a viver o perdão como um exercício permanente de nosso compromisso cristão.
Só através de um testemunho de perdão e reconciliação contínuos, pessoais e coletivos, conseguiremos derrotar as forças da violência, o ódio e a destruição da vida em todas as suas formas.


Ruy Barbosa: “Precisamos de leis que protejam o meu inimigo. Se elas não o protegem, também não protegem a mim”.
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NA CASA DE MEU PAI HÁ MUITAS MORADAS…
João 14, 1-14 – Na casa de meu Pai há muitas moradas…
Jesus diz a seus discípulos que vai partir e isto não deve perturbá-los porque vai para poder depois levá-los e tê-los sempre consigo, para preparar-lhes um lugar na casa do Pai, uma “grande casa” onde cabem todos, homens, mulheres, crianças. Sobretudo os mais pobres, que “nunca tiveram uma casa própria”, sem-teto; filhos e filhas pródigos e pródigas. Os que desejam regressar ao acolhimento do Pai. Fiéis que souberam carregar o peso do trabalho e as cargas da vida, encontram repouso. Escorraçados, despoderados, abandonados pelos poderes humanos e pela religião, têm “uma casa para abrigá-los, protegê-los e dar-lhes segurança”. Para chegarem à casa paterna precisam, homens e mulheres, de um caminho, de uma lâmpada quando chegar a noite.

A meta desta viagem que se fará com Jesus, no discipulado de cada dia, não é somente de chegar à casa, mas de obter, também, o abraço do Pai que espera, que mostra seu rosto amoroso, benigno, confiável. “Na casa de meu Pai há muitas moradas” (Jo 14,2; Sl 23). Todas as virtudes da hospitalidade do Pai estão no acolhimento afirmado por Jesus. Aos homens e às mulheres, igualitariamente. Não há nenhuma possibilidade de associarmos o Deus fundamentalista – Deus “andromórfico”, cara de macho rancoroso, tenebroso, irado, vingativo – com o Deus de Jesus: Deus acolhedor que hospeda os desprotegidos de tudo, com ternura, em “sua casa”: “Abre a mão ao aflito, e ainda a estende ao necessitado” (Pr 31,20); que diz: “Vinde, os que estais cansados e oprimidos…” (Mt 11,28). Deus que se reflete no cuidado que a mulher tem com os desprotegidos, oprimidos, atropelados e esmagados pelos demais.

O Deus da gratuidade é exemplar. Nele identificamos também o desejo de perdão, ao invés da vingança, ou da represália, quanto aos pecados cometidos na estrada da vida. Assim, homens e mulheres mostramo-nos deslumbrados por esse Deus das muitas moradas, quedamo-nos perplexos pela grandeza do céu estrelado, o Reino de Deus. No seu acolhimento existe interioridade e fascinação indescritíveis. O Salmo 36 (8-10) expressa com segurança essa certeza: “Ó Deus, quão preciosa é a tua graça. Os filhos e filhas dos homens e das mulheres se refugiam à sombra das tuas asas. Saciam-se da abundância da tua casa”.

 

JESUS EXPULSA DEMÔNIOS ENQUANTO ANUNCIA O REINO

Marcos 1,21-28 –  “O demônio agitava-se, (…) uma nova doutrina?

Perguntavam-me: Você crê em demônios? Crê no diabo e seus anjos? Eu respondia: – “Claro que creio. Sua pergunta também pode ser respondida quando se observa a realidade concreta da miséria, do abandono e do esquecimento dos fracos, dos despoderados, dos esmagados pela injustiça predominante, tão perto de todos nós. Nada é mais demoníaco que essa realidade”. Sob uma visão de abismo, um mundo dominado pelo Mal sobrenatural, um universo catastrófico dominado pelo Mal irreversível; “demônios” por toda parte, como entenderemos que Deus, Todo-poderoso, se entregue e abdique de toda  capacidade de se sobrepor e superar o sofrimento sem agir diretamente no terreno das crenças no sobrenatural, nas crendices, nas superstições? Ao assumir a condição humana, um certo Jesus de Nazaré, um homem como qualquer outro, a ponto de esvaziar-se para ser julgado pelos homens, ingressa na esfera terrena, desce aos infernos humanos emergindo vitorioso sobre a morte, inclusive no inferno da alienação mental de seu tempo (Karl Barth, comentando o Credo Apostólico).  O que norteia o imaginário religioso quando os demônios contemporâneos se apresentam na complexidade dos sistemas de pensar que os denunciam, é deveras interessante à pregação e ao púlpito cristão. Trata-se do reconhecimento pagão de que Deus não tem nada a dizer sobre a irreversibilidade do Mal sobrenatural. Cristãos paganizados condicionam sua fé à superstição que envolve o sobrenatural, dominado através da magia: “Yo no creo em brujas, pero que las hay, las hay”.

No tempo de Jesus dominava um forte temor, até extraordinário, em relação a demônios. O que ocorre com a Palestina islâmica ainda hoje serve de parâmetro para o que ocorria dois mil anos atrás.  Doenças, em muitas manifestações, eram atribuídas a demônios, particularmente as doenças psíquicas, que externamente acusavam vítimas, pessoas enfermas que não mais tinham controle de si mesmas. Nada incomum, como ocorre em templos evangélicos e católicos de hoje, sob influência “carismática”, quando doentes mentais escolhiam sinagogas e diante delas começavam a vociferar. Nossos hospitais deixam pouco espaço para os doentes mentais, para perturbados psiquicamente. Assim entendemos a dimensão do grande medo de demônios.  Não menos quando os corredores dos ambulatórios dos hospitais públicos amontoam pacientes em estado grave aguardando atendimento. Muitos morrem.

As pessoas do tempo bíblico estavam habituadas com o fenômeno da identificação simbólica, e normalmente a via de cura, pela magia e exorcismo, era apontada como vitória sobre algum demônio que as dominava. A possessão demoníaca, narrada na linguagem e na concepção desse tempo, era observada com freqüência (Joaquim Jeremias). Demônios são soldados desse poder. Poder demoníaco a serviço das dominações políticas. É preciso compreender e estabelecer que as questões estão condicionadas às nossas crenças. Tiago, abordando a questão de fé, diz: “Tu acreditas que há um Deus. Fazes muito bem. Os demônios também acreditam. E estremecem ao ouvir o seu nome” (Tg 2,19). Nesse ponto, questionaríamos o mundo virtual que se faz como mundo real? Então, caímos noutra questão: é o ser humano que inventa o Mal? 

É o ser que  se angustia, como o aprendiz de feiticeiro que não sabe desfazer o feitiço? O ser humano alcança o álibi que o inocenta diante das decisões necessárias, quando poderes humanos demoníacos se impõem em seu lugar? Pior ainda, atribuindo a poderes terceiros, diabo, demônios, forças do mal, a escolha, que, finalmente, é sua, nega-se o domínio de Deus diante das forças cegas que dominam o universo de muitos. No caminho de Jesus, seguimos ouvindo vozes e ecos proféticos, enquanto os acontecimentos da vida humana persistem em reclamar dignidade para a vida, paz, comunhão, solidariedade, especialmente entre os que crêem em Jesus. Ou não, enquanto localizamos demônios  sobrenaturais acima da realidade concreta. Demônios verdadeiros, em carne e osso, são impedimentos ao reinado de Deus. Contra Deus estão aqueles que negam direitos fundamentais à pessoa humana; que negam dignidade através dos direitos sociais; que recusam comunhão e partilha de bens sociais; que se entregam à indiferença ou à ausência, quanto à solidariedade evangélica devida aos deserdados, sem-terra, sem-casa, sem-habitação, sem-educação formativa, sem-saúde e previdência social. 

 

 

JESUS CRISTO É A RESPOSTA.  QUAL É A PERGUNTA?                   

 

Derval Dasilio

 

Todos vimos a exposição diária, meses a fio, pela televisão, do casal que jogou a filha pela janela, enquanto se omitia a estatística macabra da violência doméstica, contra a criança, no Brasil. Segundo informações de órgãos atuantes em defesa da criança, como forma de catarse da sociedade bem-posta indignada a seu jeito, evidentemente hipócrita, juristas, juízes, autoridades do judiciário, legistas, criminologistas, antropólogos, passam sua sapiência jurídica, ou científica, para “saciar” a fome de vingança social. Não falam o essencial: há 500 mil casos de violência contra a criança, por ano. Estima-se. Não vem a público. A metade chega ao conhecimento das autoridades através de hospitais e ambulatórios. Cinco por cento, 25 mil crianças, são mortas por pais, parentes próximos, no âmbito doméstico, todos os anos.  Neste domingo de eleições, como sempre, brasileiros e brasileiras esquecer-se-ão disso? Saberemos na segunda-feira. A prudência convida ao pessimismo.

 

     Cada vez mais descobrimos que a causa de Jesus, antes que abraçada por cristãos de confissão, vem sendo interessante a quem, tantas vezes, nada tem a ver com compromissos eclesiásticos, ou que leve institucionalmente o nome “cristão” na fachada. Ao contrário, a considerar-se a atuação da sociedade organizada, em defesa dos despoderados, e da natureza, o que se observa mais freqüentemente é a apatia, o distanciamento, a indiferença das igrejas cristãs em relação às grandes lutas em favor das liberdades do homem e dos direitos sociais. Cabe um parêntesis sobre Gandhi. Lia Tolstoi e descobriu a estratégia  da não-violência no Sermão do Monte, como Luther King, que se inspirou nos dois baluartes da fé comprometida. Ah, não podemos esquecer Jaime Wright,e o projeto “Brasil: Nunca Mais”, na parceria imprescindível de dom Paulo Evaristo Arns. De fato, cristãos ecumênicos têm muito a dizer sobre isso.

 

     Predomina entre ortodoxos, evangélicos, neo-evangélicos, o esforço individualista, a vontade de ascensão social a todo custo, passada aos fiéis. Os púlpitos das igrejas ocupam-se da sustentação de doutrinas abstratas do protestantismo racionalista, citando Calvino e Lutero a torto e a direito, infiel e impropriamente. Os reformadores protestantes estiveram envolvidos profundamente em reformas sociais (cf.Richard Shaull/Leonardo Boff). Dizer que Lutero e Calvino não tiveram influência em atividades políticas e econômicas é até uma blasfêmia. Quem não lê a história comete essas heresias. Exaltam-se as qualidades da vida do convertido, dá-se um banho de alienação (alienus: estado de loucura, afastamento da realidade) no maior rigor, enquanto se aguarda o céu metafísico (que permanecerá abstrato, não-concreto, pela eternidade). Ou se apontará o valor material, imediato, da prosperidade e do sucesso (que é disso que o povo gosta!), na conversão. E das “vitórias” individuais do seguidor de um Jesus imagético e indiferente ao sofrimento humano, porém, “manso e suave” (o sofrimento com causa é substituído pelo hedonismo). Jesus é resposta, diz a mensagem. Mas, diria Gedeon Alencar, qual é mesmo a pergunta?

 

Ao relermos os ensinamentos das “dez palavras” (Ex 20,1-7), o Decálogo (DEZ MANDAMENTOS), re-descobrimos as fontes de nossa fé num acontecimento histórico onde recebemos as instruções para construir nosso próprio caminho, à parte e inconformadamente com a idolatria reinante na cultura do nosso tempo.

 

      Observando o cenário político nacional e internacional, reeleições de prefeitos e vereadores corruptos (deu no jornal de minha cidade, com base na justiça eleitoral: vereadores tiveram patrimônio aumentado em mil por cento, desde a última eleição). E Bush arrisca tudo, diante da quebra de bancos sustentadores da economia mundial… Mas a religião da prosperidade individual vai muito bem, obrigado. Terá um número ainda maior de representantes evangélicos, nestas eleições. O Rio de Janeiro, tido como a cidade “mais evangélica” do Brasil, arma o palco da cultura dos novos ídolos. As demais capitais brasileiras acompanham seu “deus”. Em nome de Jesus!

 

2 – HÁ UM SÓ DEUS, CRÊM TAMBÉM OS DEMÔNIOS…

Derval Dasilio

 

Para Jesus o Reino de Deus está aberto a todos os seres humanos “de boa vontade”, ou seja, que tiverem como valor primeiro de sua vida o Amor e a Justiça (Mateus 21, 33-43). O Reino é “Vida, Verdade, Justiça, Paz, Solidariedade, Gratuidade e Amor”. Jesus desafia abertamente quem condiciona sua mensagem a alguma prática religiosa, e por meio dessa comparação com a vinha, mostra que a ortodoxia doutrinária, ainda presa ao séc.XVIII, recalcitrante, também não conduz à salvação, à plenitude de vida. O Reino não é propriedade privada de  ortodoxos ou neo-evangélicos. Ninguém nem de nenhum grupo em particular tem a verdade ou as respostas sobre a pergunta do Cristo de Deus nos evangelhos: “Que dizem os homens que eu sou”?. Ninguém encontra Jesus assegurando o titulo de exclusividade a uma razão religiosa concreta, afirmando “uma religião verdadeira”. Tiago explicaria melhor: “afirmas que há um só Deus, ótimo! Lembra-te, porém, os demônios também crêem… mas eles estremecem” (Tg 2,19). Eis a diferença.

 

     O padre francês, Gabriel Maire, denunciava o crime organizado em Vitória (ES) e cidades da região metropolitana.  Envolvia policiais de alta patente, juízes e desembargadores. E políticos da Assembléia Legislativa. Foi assassinado em 1989. Minimisou-se a questão na imprensa televisiva ou escrita, que recusava-se a publicar os fatos na essência. Graúdos envolvidos, porém, obtinham páginas inteiras para desagravos. Grandes empresas pagavam. O dinheiro do crime organizado financiava muita coisa. A sociedade sentia-se beneficiada. E a polícia encontrava um bode expiatório: um rapaz favelado foi descoberto, apontado como assaltante e preso como assassino. Entrevistada, sua mulher, uma jovem grávida, chorando, proferia estas palavras: “Fomos matar nosso único defensor”. 

 

     Caco Barcelos, conhecido jornalista que se dedica à denúncia ou demonstração do crime organizado, entrevistado, quando perguntado sobre a violência dos dias de hoje, através dos grupos de extermínio, que atinge diretamente e com exclusividade as classes mais pobres da sociedade, na periferia das cidades, ou nos núcleos de miséria no coração das grandes cidades, dizia: “Não tenho dúvidas de que, se a política de extermínio atingisse a classe média alta, acabaria no dia seguinte”. E continua insinuando que a imprensa é elitista, no geral, objetivando as classes bem-postas socialmente; que juízes, desembargadores, e até autoridades do alto escalão judiciário, ignoram os bolsões de miséria social em suas necessidades de políticas públicas e aplicação de direitos fundamentais. Estão prontas a aprovar o extermínio sistemático, milícias e os novos nomes do antigo “esquadrão da morte”, no terreiro do “inimigo”. Lembra também que a repressão policial e jurídica ao crime concentra-se nas sub-sociedades marginais, enquanto desvia-se estrategicamente de objetivos que “maculem” a imagem dos altos extratos (cf. parágrafo inicial). A grande imprensa serve a quem paga.

 

     O banqueiro corrupto preso e algemado desperta indignação nas altas esferas, ministros se manifestam em favor dos “direitos” de alguém em não ser exposto publicamente entrando num camburão, cercado de policiais armados até os dentes. Mas se ri do camelô que é apanhado publicamente na contravenção, sofre violência. “Bem-feito”! O mesmo jornalista completava: “Sinto falta disso, em meu trabalho. “Em reportagens de fôlego, sentia falta de poder para dar espaço aos acusados pela sociedade dominante”. Caco Barcelos amargou dezoito processos por causa de denúncias em defesa da vida, reclamando direitos fundamentais a serem também estendidos aos empobrecidos e despoderados. Enquanto isso as igrejas cristãs se calam… Mas, quando se pronunciam, dizem: Não é conosco. Mas é conosco! Ou estamos aqui para quê?

 

      Toda a vida e ministério de Jesus refletem compromisso com a vida, e não com doutrinas religiosas. Suas ações e palavras convocam todos para partilharem de sua vida nas novas realidades humanas, e da construção do Reino de Deus; da acolhida aos excluídos e no anuncio da utopia de Deus, que abre novos horizontes de esperança no coração dos cansados e oprimidos; do cuidado com os esmagados, despoderados, pobres, enfermos. Estes e outros sinais de solidariedade são manifestações da vontade do Pai que envia Jesus para que seus filhos e filhas, em todo o universo, “tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10). Os vinhateiros modernos, assassinos dos profetas, da ortodoxia doutrinal ou do evangelicalismo góspel, certamente não concordarão. Não restará ao dono da vinha senão arrendar seu parreiral a outros cultivadores do Reino (disse Jesus: Eu sou a videira, vós sois os ramos…). Os estranhos, diferentes, entregarão os frutos no tempo devido, já que os tradicionais e “ortodoxos”, a serviço da sociedade bem-posta, esquecidos de sua missão, desviam-se de seus deveres. Sempre preocupados com a tal “reta doutrina”. Sempre com a caixa de fósforos para acender fogueiras inquisitórias. Assim não dá…

 

 

  

SÁBADO: MEMÓRIA DO LEGALISMO E DO PRECONCEIT0 CONTRA MAIORIAS E MINORIAS

com 2 comentários

mao-e-cruz-animation.JPGÉ sábado, a vida continua, os que estão saciados não percebem, mas os que têm fome continuam famintos (Marcos 2,23- 28;3,1-16). O sábado era uma das observâncias mais importantes no judaísmo, uma certa nitidez que se exigia para distinguir o judeu do pagão. A autenticidade aparente, sem dúvida, era mais exigida que a convicção religiosa interna. Aí, viver como o pagão não significaria algo tão importante. Por exemplo: no uso do dinheiro; nas relações de trabalho explorando compatriotas; no oportunismo político dos dirigentes no tráfico de influência; na crucificação de judeus rebeldes ao regime imperial; na eqüidistância quanto aos compromissos e responsabilidades sociais para com o povo, coletivamente. Ao contrário, a violação do sabbah era motivo até para a pena de morte (“Saíram pensando em matar Jesus…”, cf. 3.6). Os regulamentos exigiam que certas atividades não poderiam ser exercidas durante o sábado, mais exatamente: trinta e nove artigos regiam “o que não deveria ser feito durante o sábado”, inclusive preparar alimentos para comer, no judaísmo contemporâneo do evangelista Marcos. Por que há cristãos que, do ponto de vista do legalismo, insistem nessa tradição no transplante do judaísmo bíblico para dentro de suas igrejas?

Esfregar espigas para comer, mesmo que depois do “horário regulamentar”, era considerado uma infração. O sábado adquiriu seu real significado na época tardia intertestamentária. No judaísmo pós-bíblico tornou-se preceito indispensável. A história do “sabbah”, no entanto, começa com a importância que o escrito sacerdotal (P) lhe dá desde o Gênesis, na Bíblia. Muitos dos preceitos sobre o “sabbah” são heranças cananitas, e outros tantos do mundo babilônico. O sábado foi “sabattu”, tabu referente a algum dia, no passado remoto, como era tabu acender fogo. Um dia de tabu é sempre contrário a um dia festivo, que é repleto de alegria, mas também comemorado em locais sagrados. Experimentar a presença cultual de Deus sob formas repressivas é influência pagã na religião de Israel. O mundo babilônico também conhecia o “sab/pattu”, o dia de lua cheia, relacionado ao tabu do “sabattu” (Gunneweg, Teologia Bíblica do Antigo Testamento e Imschoot, Théologie de L´Ancien Testament). Confirma-se a influência estranha do paganismo vizinho. É religiosa , essencialmente.Hoje, poderíamos falar do legalismo religioso enfrentado por Jesus Cristo, enquanto vigiado pelas autoridades religiosas de seu tempo: “Saíram pensando em matar Jesus…”, quando constataram a desobediência profética do Homem de Nazaré.

Heróis nas lutas por libertação no século XX, como Mahatma Ghandi, Martin Luther King, Nelson Mandela, jamais teriam chance de fazer o que fizeram, se dependessem da aprovação oficial da igreja cristã, para não falar da fé fundamentalista e legalista de igrejas evangélicas. Já contei antes, porque ouvi de outro: Ghandi leu o Novo Testamento numa noite, quanto morava na África do Sul. Ao amanhecer, convicto de que encontrara orientação certa para sua causa em favor da Índia sob o colonialismo europeu, britânico, procurou uma igreja cristã. Deparou-se com uma, dispôs-se a entrar. Imediatamente viu a observação numa placa, na porta do templo: “É proibida a entrada de cães e negros”. Nunca mais entrou numa igreja cristã, parece, embora impressionado pelo Evangelho. Não há notícias, da época, sobre qualquer apoio evangélico ou cristão à causa de Gandhi, exceto um pastor anglicano que o acompanhou por muitos anos, desde a África do Sul.

O legalismo sempre está próximo do preconceito e do exclusivismo, entre cristãos. A palavra “eqüidistância”, no entanto, é bem freqüente entre evangélicos, quando está em questão alguma luta libertária, em qualquer parte do mundo. Exceção para o mundo ecumênico. É bem conhecida a luta de Luther King com o evangelicalismo fundamentalista dos EUA, que o desaprovava e perseguia, em clara manifestação racista fundamentada supostamente em “ensinamentos bíblicos sobre diferenças raciais”, como diziam os cristãos que reagiam contra a cessão de direitos iguais para todos os cidadãos e cidadãs negros, a favor do apartheid que ainda existe na sociedade norte-americana (cf. Crash, roteiro e direção de Paul Haggis). Nelson Mandela passou anos na prisão, em razão da defesa de causa semelhante, na África do Sul.

Onde está a Igreja ou o cristianismo oficial sob o legalismo evangélico ou protestante, nestas situações de opressão, discriminação e exclusão? Logo se declara eqüidistante, no mais das vezes. Quando não se omite inteiramente. Quantas vezes as igrejas estiveram ao lado das ditaduras, especialmente na América Latina, quando igrejas e organizações “cristãs” se diziam eqüidistantes, tratando de sufocar lideranças na resistência ao autoritarismo militar, denunciando irmãos ao aparelho repressor do Estado, como ocorreu com o pastor Jaime Wright e seu irmão, presbítero Paulo Wright (este, preso, torturado e morto pela polícia política da ditadura militar que subjugou o Brasil por vinte um anos; Jaime Wright, pastor presbiteriano líder na luta pelos Direitos Humanos durante a ditadura militar, morreu deprimido e desgostoso, alijado pela igreja a quem servira por vários anos)? Os nomes são apenas alguns entre inúmeros exemplos na Igreja sob a ditadura militar, como os do presbítero Waldo César e do pastor Zwínglio M. Dias. Não nos impressiona a posição sistemática, histórica, do protestantismo brasileiro em favor da repressão política e religiosa.

Hoje, a luta das minorias sexuais, a integração indígena com indenizações cabíveis ao holocausto imposto, que dizimou, talvez, 3.500 milhões de nativos, fazem parte do inconsciente preconceituoso que nos toma a todos.
—–
Derval Dasilio

Written by Derval Dasilio

19/08/2007 às 0:00p08

6 Respostas

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  1. Textos belíssimos e sensíveis capazes de evidenciar o verdadeiro sentido do kerigma cristão. É confortante saber que a reflexão cristã autêntica esta aí presente e combatente. E, ao mesmo tempo, os textos nos desmobilizam de nossos comodismos e nos (re)colocam no contexto original da ação de Jesus. Parabéns Reverendo Derval. Creio que seja por aí que encontraremos o caminho do Reino!

    Marcelo Tiago

    20/08/2007 at 0:00p08

  2. ÓTIMOS!! Hoje, temos muita informação disponível, mas com pouca qualidade. É muito bom ler textos que nos edifiquem, nos motivem e desafiem a sermos pessoas melhores, cristãos melhores. Rev. Derval, como sempre, podemos contar com sua contribuição teológica e também literária para nosso crescimento e desenvolvimento. Obrigado!
    Siga… colaborando na formação de verdadeiras consciências cristãs!!!

    Roberta Coutinho

    25/08/2007 at 0:00p08

    • Roberta: Acabo de publicar o livro PEDAGOGIA DA GANÂNCIA (Metanoia, 2013). Você é citada algumas vezes, em razão dos diálogos que tivemos sobre juventude e vida de fé. Confira…

      Derval Dasilio

      16/01/2014 at 0:00p01

  3. É um magnífico texto ensinando-nos a sermos tolerante e compreensivo com os mais humildes ( pois a sua humildade já é um exemplo para os soberbos).

    José Antonio Vasconcellos Costa

    08/03/2008 at 0:00p03

  4. nos somos a obra prima do senhor por isso vamos escolher a viver lado a lado com cristo..so uma pessoa q provou q nos ama, q foi jesus, pois ele morre por nos para nos dá vida…pois nao vamos se ingratos e vamos adorar o senhor de corpo e alma…
    jesus te amo, se ti nao sou nada…
    ++++++++++++++++++++++++++
    RESPOSTA: Amém
    Derval

    elizangela

    14/05/2009 at 0:00p05

  5. agora e sempre irei acredita em tudo que é de lei de deus.
    tudo que deus fala sempre é real e verdade.
    jesus neu te amo e acredito em vós

    aninha

    22/03/2010 at 0:00p03


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