Derval Dasilio é teólogo, filósofo, professor, pastor na Igreja Presbiteriana Unida. No www.paoquentediario.com.br à sua disposição [Link do Pão Quente Diário], assinando edições no Espaço Teológico Ecumênico e artigos teológicos semanais no Comentário ao Lecionário Litúrgico Reformado. Seus livros? Você terá informações brevemente. Seus Artigos e Crônicas preferidos estão postados aqui. Os comentários serão respeitados, conforme as opiniões dos debatedores.
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Amigos. Um aniversário é apenas mais um aniversário.
Mas é um aniversário. Reflitam comigo. Leonardo Boff ajuda-me a compreender: “O ser humano concreto é a coexistência de duas curvas, unidade tensa e dialética, jamais adequadamente equilibrada. Por um lado, centra-se sobre si mesmo, no intento de conservar sua carga energética (vida biológica), vivendo o mais longamente possível. Por outro, descentra-se de si mesmo indo ao encontro dos outros, podendo assumir a perspectiva deles (os outros) até em contradição com seus interesses pessoais (vida ética). Somos uma unidade tensa e difícil, irredutível, como em duas curvas. O ser humano não tem um corpo, ele é um corpo, uma realidade indefinível. Uma parte do meu ser, meu eu, percebe que nem eu mesmo sei quem sou, na totalidade. Mas eu sou meu corpo, estou no mundo, sou parte do mundo. Sei disso porque uso a inteligência, penso sobre mim mesmo. Sei também porque tenho vontade, necessito atender a necessidades interiores e exteriores. Mas, pelo coração sou capaz de habitar nas estrelas e buscar os confins do universo e o que está para além dele”. Quem sabe nosso grande companheiro nas reflexões sobre o ser ainda nos ajude mais?
Agora reflito eu. A vida está em si, mas também, e permanentemente, fora de si, nos outros, no mundo, nas estrelas, desde o coração de Deus. E esse crescimento na compreensão das coisas, na vontade de entrar em comunhão com elas, na busca da perfeição, do belo e do virtuoso, não tem limites nem fim. Podemos crescer indefinidamente? As realidades humanas não padecem barreiras? Essas duas curvas nos instigam… e atormentam. Uma delas com princípio e fim, tendo o paralelo ao horizonte físico e humano.
Certo. Mas a outra é infinita, possui um raio vertical apontando sempre para cima, enquanto se reinicia outra elipse, como uma sucessão de um “s”superposto seguidamente. Cada vez que uma curva termina outra se inicia. Elas, tendencialmente, podem crescer mais e mais. O céu é o limite do ser. Céu é plenitude. A segunda curva, porém, é transcendental, vai nascendo até acabar de nascer … e nasce de novo cada vez que termina. Um reinício constante na direção da plenitude. Uma dialética incrível, contudo, é a nossa vida, porque a referência inevitável é o horizonte da nossa humanidade. Curvas que podem ser perigosas, não é verdade? Parafraseio Vinícius: “São demais os perigos nas curvas dessa vida…”
A curva biológica quer elevar-nos como um corpo que compartilha no espaço a presença de outros corpos, enquanto dialoga com eles. Porém, chegamos ao ápice das energias que acumulamos, no universo físico e seus determinismos, e vamos decrescendo até acabar de morrer. Voltamos à linha do horizonte. De fato, não sei onde estou. Fernando Pessoa pode me ajudar? “Entre o que vejo de um campo e que vejo de outro campo, passa um momento uma figura de homens. Os seus passos vão com ele na mesma realidade, mas eu reparo: O “homem” vai andando com suas idéias, falso estrangeiro. (… Que perfeito que é nele o que ele é – o seu corpo, a sua verdadeira realidade …”). E corto aqui para não estragar. Até outra hora.
Obrigado por suas lembranças. Lembrar-me-ei de vocês, se puder, quando na última curva completar a caminhada comum na direção dos nossos céus. Quero compartilhar meus anos com vocês, certo de que a fraternidade que nos une, juntada aos mesmos sonhos de plenitude, nos levará cada vez mais à proximidade das estrelas e do que está além delas. Com a Graça de Deus.
Derval
Comentário por Derval Dasilio — 16/07/2007 @ 0:00p07 |
Querido mestre Derval.
Vc é 1.000! Parabéns pelo dinamismo e a crescente fé na unidade da Igreja. Indiscutivelmente, somos todos abençoados pela sua vida!
Com carinho, seu parceiro Ricardo César
Comentário por Ricardo — 28/07/2007 @ 0:00p07 |
Admirável. Fortalecedor de almas. Obrigada.
Comentário por Iara Tedesco — 09/08/2007 @ 0:00p08 |
Prezado Pr.Derval,
Sintomuito prazer em ler vossos comentários e gostaria de pedir-lhe,se possível para enviar-me algum texto sobre a circunscrição.
No mais que Deus o Abenções ricamente,
Abraços,
EVAIR CARDOSO,PR.
Comentário por evair Cardso — 24/08/2007 @ 0:00p08 |
Caro amigo Derval
Como é bom ver o seu continuo envolvimento com a proclamação do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo. E quando Deus chama alguém para a sua missão ele sabe de antemão quem estará pronto a se envolver com ela, e você é um desses. Os seus escritos são profundos e que nos levam a uma reflexão de como devemos ser entender o projeto de Deus.
Deus continue a abençoá-lo muitíssimo nesta missão.
Do irmão em Cristo.
Abraços.
Clover Cezar
Comentário por Clover A. Cezar — 16/03/2008 @ 0:00p03 |
Clover! Quanto tempo, meu irmão do peito.
Sumimos… e você apareceu por aqui. É uma
recompensa. Estive com o Joãozinho e o Anacleto hoje mesmo.
Ele, Joãozinho, está com originais de seu último livro, um comentário à Carta aos Romanos. Imagino que será muito útil, uma vez que o nosso colega continua escrevendo muito bem. Por favor, escreva-me no e-mail derwal@intervip.com.br para marcarmos alguma coisa. Falarei com Anacleto, amanhã de manhã,
que nos encontramos aqui.
Mais uma vez, obrigado pelo comentário.
Com saudades,
Derval
Comentário por Anónimo — 16/03/2008 @ 0:00p03 |
Caro Derval, finalmente passei por aqui e gostei de tudo que vi! Aproveitei para copiar um texto para meus alunos, pois sou sua fã, sempre!
O site está ótimo. Parabéns por sua generosidade em linkar-nos para endereçõe interessantes!
Enfim , valeu vir até aqui, meu amigo! Deus o abençoe muito, Celeste.
Comentário por Celeste — 03/05/2008 @ 0:00p05 |
Obrigado, Celeste amiga e irmã.
Você sempre me estimula, e isto faz
com que esta construção, compartilhada
pelos amigos, venha a ser também “sua construção”. Os textos lhes pertencem.
Quando colegas teólogos e teólogas aprovam o que esbocei, o momento seguinte lhes pertencerá… o escrito passa a ser de vocês. Sartre ensinava mais ou menos isso, décadas atrás: “aquilo que leio, aprovo e reproduzo a mim pertence”. Fico felicíssimo por seu interesse, querida amiga. Abraços muito fortes,
Derval
Comentário por Anónimo — 03/05/2008 @ 0:00p05 |