Derval Dasilio – Escritos&Artigos

24/08/2008

UM POBRE NÃO PEDE, EXIGE SEUS DIREITOS FUNDAMENTAIS

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 Um aluno nosso, dirigindo um estudo bíblico, cita Karl Barth, que afirmara ser o Evangelho um apontamento sobre a preferência de Jesus Cristo pelo pobre (Poverty, Against the Stream, NY, Philosophical Library, 1954). A platéia de cristãos bem-postos protesta imediatamente. E seguem-se as citações tradicionais: “os pobres, sempre os tereis convosco”… “bem-aventurados os pobres de espírito”…, etc., para universalizar  a mentira conversionista que fala de salvação abstrata, espiritual; de pobreza e de miséria espiritual; pobreza “metafísica”.  Não é bíblica, evidentemente. Acompanhem-me, por favor. Recolhemos informações importantes, aqui, para a continuidade patriarcal no Primeiro Testamento. Ao mesmo tempo, dados de transição e de transformações econômico-sociais despontam sob a ótica do narrador javista (Ex 1,8-22;2,1ss): “Eis que se levanta um novo rei sobre o Egito, que não conhecera José”. O sabor épico, no contar da história de José, um menino vendido, perseguido, ameaçado de morte, que enfim acaba por encontrar uma posição privilegiada, destacada, numa nação poderosa, não é incomum na literatura acádica contemporânea. Faz parte do folclore do Antigo Oriente Médio. Os aspectos individuais, no entanto, são relevantes: José encarna a “sabedoria” dos doutores, os hakamim, capazes de produzir estratégias para a superação de obstáculos, como refletiam os rabinos chassídicos, pós-judaísmo formativo. 

 

É falso o que o pietismo e o fundamentalismo bibliolatra ensinaram sobre José. Ensinamento no mínimo duvidoso, certamente primário e infantil. Colocar José como um varão perfeito e virtuoso, que é premiado porque não se deita com a mulher de Putifar, não é o essencial. A questão de fundo não é o erotismo reprimido de José. Refere-se ao sonho por justiça social entre as nações, que está na mente do narrador profético. Na cultura do povo bíblico, no Primeiro Testamento, os sonhos poderiam ser “oraculares”, premonições, talvez, de tragédias que possam ser evitadas, pela interpretação de sonhos. Mas podem expressar também desejos ocultos, ambíguos, oblíquos. Sonhos de “poder”. Os feixes, colocados em forma piramidal, onde os gravetos apóiam uns aos outros, poderiam dar a entender uma escolha de quem ficará em destaque, no grupo de onze feixes inclinados (posteriormente, contemporaneamente, o narrador, que escreve por volta do VI séc. a.C,, referir-se-ia às 12 tribos de Israel, 600 anos antes, e elege um membro de Judá para governar Israel; eis uma “interpretação realista”, literalmente).

 

Mas José não se identifica com um pretenso “rei”, na cultura pastoril de seu tempo. Aqui, o narrador não está dizendo que o sonho vem de Deus. Não é próprio, mas quer justificar, talvez, o que o livro de Juízes ignora: Israel sonha com um rei! Quer alguém com autoridade para governar (1Reis 8;9;10). Não importa o que um pai profético, como Samuel, quer alertar: milícias guerreiras com o concurso dos filhos de Israel, filhas concubinas para a corte (as quais, como mercadorias de preço, seriam entregues ao rei… gratuitamente), impostos severos, perda de direitos sobre a terra, que aumentariam a legião de “órfãos e viúvas”, os pobres de Israel. José aceitará ser um agente de transformação social e econômica ofertada a um povo pagão. Ao contrário de Davi, e diferentemente de Jonas – o profeta do falso exclusivismo do “povo eleito” –  que não aceita a salvação e a libertação dos pagãos, que passam pelas mesmas crises por motivo de opressões religiosas, econômicas, políticas e sociais. Representa José o amor, a salvação, a graça sem preço. A reconciliação com os interesses de seu povo original. O Deus de José, Deus da Bíblia, convida à fé no desenvolvimento sustentável e à esperança de salvação. Trata-se da luta pela liberdade e, finalmente, pelo esforço na direção da alforria. Sentido pleno da libertação.

 

Os hebreus (hapiru) que habitavam o norte do Egito na forma de um grupo compacto, são apresentados hiperbolicamente, numa linguagem de exageros, como um “grande” grupo. Na verdade, estariam mais próximos de uma comunidade de testemunho da presença de Yahweh, refletida em todo o Êxodo, ou representações de “êxodos”, na teologia libertária, profética, que desponta no Primeiro Testamento. A rigor, o “anawin”, o pobre, é comunidade de libertados/libertários, de Israel. Milton Schwantes ainda não publicou sua dissertação doutoral no Brasil, pelo que sei. Das Recht der Armen, O Direito dos Pobres. A tese aborda o conceito  do pobre. O que é sociologicamente o pobre, na Bíblia? Em que sentido ele tem “direitos”? O que quer dizer, neste caso, “direito”? Perguntam ao teólogo. E ele responde: – “Direito, no caso da cultura semita, também bíblica, significa aquilo que corresponde a alguém que tem necessidade de obter coisas da sociedade”. Por causa da “dignidade” (dignitatis), que é a melhor tradução para os direitos fundamentais de todos, em nossa língua.  O pobre tem, pois, o direito de receber comida e uma terra da sociedade, seja para construir sua casa ou para o cultivo de subsistência, na Bíblia. O direito é o de obter da sociedade o apoio na necessidade e na crise, em meio aos parentes e à comunidade. O termo “pobre” é usado no Antigo Testamento e na Bíblia toda de modo diferente do que nós o usamos. Nós damos aos pobres o sentido de “carentes” de esmolas! A Bíblia ignora esse sentido. Ela entende que o pobre tem o direito de “reivindicar os direitos sociais” garantidos por tradição remota em Israel. O êxodo é uma história de pobres libertados do jugo político-econômico do “rei” egípcio e da sociedade que sustenta esse jugo: justificação perversa da miséria, da pobreza, da fome, em favor de direitos e bem-estar para as elites. Na tradição bíblica, “um pobre não pede” (não é pedinte), mas “exige” sua parcela da sociedade, como cidadão, diz nosso admirável teólogo.

 

20/08/2008

AS RAÍZES PODRES E OS FRUTOS INDIGESTOS DA RELIGIÃO FUNDAMENTALISTA

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 A religião é um fenômeno antropológico extraordinário! Todas as religiões têm começo e origem. Nos primórdios imemoriais, nas  eras mais recentes, na Antiguidade e até hoje, as narrativas sagradas, os rituais, as práticas morais, os modos de organização, em cada grupo religioso, em toda parte e em todo tempo, pré-histórico ou não, a religião nunca se dissocia dos meios de produção econômica (João Décio Passos). Narrativas supra-históricas, miraculosas, apontando prodígios, eventos divinos, transcendem à dinâmica histórica enquanto colocam  homens e mulheres face a face com o transcendente. Este é um ponto. O outro refere-se à institucionalização da religião, quando vai-se racionalizar origens e fins.  O pentecostalismo, assim como as demais tendências cristãs, emergiu da dinâmica histórica, desde Abraão, por exemplo. Se no primeiro momento evoca sua origem primordial, no segundo desencadeia-se dentro do contexto histórico. Se a teologia pentecostal fundamentalista prefere a narrativa linear, atemporal e não histórica, são outros quinhentos. Quando a narrativa é sacralizada (como ocorre no biblicismo fundamentalista, excessivamente freqüente nas igrejas históricas), o resultado será estruturado numa religião autoritária, com poder religioso especializado, restrito a uma hierarquia, inteiramente montada na objetividade e finalidade. A fé, elemento transcendente, é dispensável nesse momento.

 

O cristianismo ocidental traz também a marca da pretensão de gerenciar o mundo em lugar de Deus. Na mundialização do capitalismo econômico, nas “globalizações” que se impõem, e na monocultura consumista que se impõe ao planeta, sofre-se, hoje dia, a substituição do próprio Deus. Melhor, os favores de Deus são vendidos nos templos transformados em mercados. E não só no Brasil. Roger Garaudy, marxista convertido ao cristianismo, faz a pergunta: “Dentro do cristianismo, o homem ainda precisa de Deus”? Podemos perguntar mais: – Quanto custa o passe do deus neopentecostal? Cristãos históricos se habilitam? Enquanto isso, o homem declara-se como mestre e senhor da natureza, além de dominar outros homens, e os continentes, através das ciências e da técnica. O rosto do homem ocidental é visto no espelho dos cristãos pluralistas e no surgimento de novas religiões, nas últimas décadas, (neo-evangélicos e neopentecostais oferecem excelentes dados a essa pesquisa), sob a bandeira do cristianismo religioso pós-moderno. O mesmo espírito mercador do mundo dos negócios está aqui, na religião neo-evangélica.  Neste mundo não se conhece uma única proposta que não envolva sucesso financeiro pessoal (panacéia salvacionista do mundo contemporâneo). E cristãos históricos aderem, sem perguntar muito, às novas –  pero muy viejas” propostas mercantilistas na igreja.

 

A religiosidade comum a todos os homens pode ser esboçada assim, porém, brevemente. Contudo, a experiência de religião encontrada no Antigo Testamento que se assenta e  chega até nós vai fugir do comum. O ambiente mesopotâmico, e depois cananita, palestiniano, enseja uma abordagem diferenciada, notável por isso mesmo. O israelita crê numa religião revelada, e não na religião natural, fenomenológica, calcada em sentimentos diante do fascinante mundo geográfico, astrológico, meteorológico. No segundo caso, os fenômenos físicos ditam o ritmo dos acontecimentos. A experiência humana com a procriação e a fertilidade; com os fenômenos naturais, é determinante. A aflição sobre fenômenos sobre os quais não se possui nenhum controle, vida nômade debaixo de céus estrelados contrapostos às tempestades noturnas, medonhas, céus lampejados vivamente por raios intensos, exigiram uma resposta do homem. Imaginemos uma árvore despedaçada por um raio, como acontece ainda hoje em áreas rurais, quando um camponês recusa-se a tocar na madeira carbonizada e exposta; acrescentemos, ainda, a observação de ciclones, furacões, maremotos (Geoffrey Blainey). Como explicar um vulcão em erupção, extensões de terra abaladas, tremendo, e em seguida rachadas em grandes distâncias, num mundo limitado ao que um grupo de pessoas conhecia (a terra que pisavam era a Terra toda…)? 

 

Pensemos no céu noturno, em forma de cúpula, em estrelas cadentes, debaixo do qual as pessoas armavam suas tendas. Como era intrigante a marcha regular das estrelas, os céus cruzados periodicamente por tochas de fogo em alta velocidade, estrelas cadentes, grandes rios lácteos correndo pelo céu, tapetes gigantescos de estrelas estendidos nas noites limpas… Criaturas poderosas deveriam viver no firmamento… Nasce a religião! Magos, videntes, curandeiros, feiticeiros, conheciam esses mistérios. Tinham, portanto, as chaves dos lugares sagrados, dos santuários, dos altares onde se fariam sacrifícios. Podiam manipular a religião, por causa de seus atributos e competências. A Bíblia Hebraica, contudo, não esquece nenhum detalhe a respeito dessa religiosidade: condena-a. Mas o homem bíblico não é diferente dos outros, denuncia imediatamente. A guinada na direção da religião revelada, que ocorrerá gradativamente.

 

O primeiro êxodo ocorrerá com a introdução do monoteísmo ético, atribuído a Moisés. A dessacralização da natureza atinge fragorosamente essa religião, de tal maneira que nem o lugar do túmulo de Moisés  poderá ser conhecido, na posteridade (“E ninguém soube, até hoje, o lugar de sua sepultura”: Dt 34:6 – Torah). Moisés morreu, mas morre como um ser humano. Seus despojos não podem ser adorados, quem sabe venerados, como relíquias. Uma grande verdade pode vir de rabinos observantes do Midrash Lecav Tov: “Para que jamais se mesclassem o domínio humano e o domínio divino do Deus sobre o povo de Israel; para que não fossem embaçadas as diferenças que transformam a religião, o meio, em objetivos, desfigurando a própria religião”. Será que Edir Macedo, R.R.Soares, Robson Rodovalho, Márcio Valadão, o casal Hernandes, leram sobre isso alguma vez, tirando proveito invertidamente? São mestres respeitadíssimos no ambiente neo-evangélico. Admirados em toda parte, faça-se justiça.

 

Os surtos neo-evangélicos recentes, são contaminados por uma estruturação clara em torno de um poder religioso especializado, restrito, hierárquico, autoritário, objetivo. Os fiéis tramitam essencialmente no ambiente urbano, marcado pelo anonimato, por relações indiretas; pela massificação dos costumes, sem expressão de comunhão e de comunidade,  em reação estrondosa às condições sociais e econômicas. Nada de anormal que o lado de baixo da Linha do Equador abrigue a nova religião neopentecostal em seu cenário. O narcisismo e as desigualdades sociais, a dissolução da ética solidária e da partilha, compõem o ambiente perfeito dessa coreografia. Deus, aqui, além de assemelhar-se ao “deus ex machina”  da teatrologia da  Grécia Antiga, é bem brasileiro: Deus é um serviçal; um “deus-quebra-galho”, como num receituário doméstico, onde se encontrará todas as soluções possíveis para alguém se dar bem na vida. Os ministros oram e ordenam à divindade, depois das ofertas compulsórias: -”Fizemos a nossa parte, agora faças a tua…”.

 

A religião exposta na Bíblia Hebraica, e no Segundo Testamento, é profundamente diferente.  Deus é respeitado em sua grandiosidade, o homem também é respeitado dentro do princípio da decisão livre, não manipulada. Cada homem  pode chegar a Deus através do microcosmo e do macrocosmo, dirá o holandês H.Renkens (A Religião de Israel). O homem está incluído numa graça geral, uma dádiva divina, pois é como uma enciclopédia que alcança o universo inteiro; ele próprio é o “universo num grão de areia ”. É como “uma gota d’água numa pétala de flor ” (Rubem Alves), no seu interior cabe o mundo inteiro. Mas nem esse mundo pode contê-lo em si mesmo, tal a transcendência do ser humano criado (Sl 8:4-5: que é o filho de Adão, para que te lembres dele, e o filho do homem, para que o visites? Contudo, pouco abaixo de um deus o fizeste; de glória e de honra o coroaste). Consciente de si mesmo, o homem percebe seu direito à plenitude dos bens sociais, enquanto possui consciência ética sobre a justiça, a partilha e a solidariedade. As insaciáveis profundezas do seu próprio interior tornam-no um ser inquieto, um peregrino sem um travesseiro para pousar a cabeça, inconformado com possíveis limites (Lucas 9,58: “…As raposas têm tocas e os pássaros têm ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde repousar a cabeça”). Na voz de S.Paulo, esse testemunho interior será expressado assim: “mostram-lhes a norma da lei gravada no seu coração, testemunhando-lhes também a consciência e os seus pensamentos”, (Rm2,15). A voz da consciência é dos mais notáveis indícios da religiosidade bíblica, que se manifesta no testemunho exterior, nos compromissos com o grande universo fora do homem: o macrocosmo não-manipulável. A religião bíblica, então, passa a ser compreendida como uma “Religião da Consciência”. Não é possível ficar em cima do muro.

04/08/2008

LUTANDO COM DEUS POR UMA TERRA SEM MALES…

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Derval Dasilio

Jacó é o símbolo bíblico do homem que busca a Deus enquanto se empenha nas grandes lutas por um mundo novo. A terra sem males nem dores do Apocalipse. O homem deve sempre voltar-se para a solidão com Deus, sugere o texto (Gênesis 32,22-31), e lutar de novo. Deve insistir em nova escuta do nome de Deus no meio da luta, como quem procura um “personal training”, forçando-o a revelar-se com instruções estratégicas. Atualizando seguidamente o nome que se pronuncia, limpamente, os desgastes são evitados (como o abuso dos nomes de Deus no teísmo corroído da fé evangélica iluminista, propositista, racionalizada, empírica, prática: fé no sucesso e na prosperidade).

 

Uma idéia se levanta desse recorte, na história da formação do Israel bíblico, uma narração primitiva: os projetos humanos não têm força suficiente, em si mesmos. É preciso lutar com Deus, e desse embate marcas profundas resultarão. Este é um relato de suma importância, ao mesmo tempo decisivo. Antes de tudo, denuncia que Jacó vive num mundo politeísta, e seu Deus, Bet-El, é o Deus daquele lugar. No entanto, arrisca-se num ato valente, no terreno dominado pelo irmão Esaú, seu adversário (panim). A luta com Deus é algo impressionante (Os 12,2: “Deus em pessoa, um anjo, luta com o homem…”), em tons misteriosos, Jacó vence, mas sai com marcas profundas. No relato da travessia do Jaboq (32,29), Deus é reconhecido entre os nomes do Deus de Israel, tão somente. E não entre as divindades do mundo pagão.

 

Perguntam-se mutuamente pelo nome, os dois personagens. Mas Deus recusa-se a dar o seu, que é o modo de resguardar seu próprio mistério (Yahweh, “sou o que sou”, para Moisés; mas, para Jacó é El-Shaddai, “Deus que conduziu os patriarcas”; no entanto, os profetas deuteronômicos conheciam-no como Há-Elohim, “Deus único”). Deus acaba por conceder a bênção a Jacó. A luta atravessa a noite e avança pela aurora. É dia, ao final do combate (Shöekel). O sentido geral é de mistério, um encontro secreto, como os dos profetas de Israel, Moisés e Elias (Ex 33,34; 1Rs 19). Desse modo, o narrador quer demonstrar que Deus estaria se revelando enquanto também se esconde, ao mesmo tempo.

 

Jacó ouve a palavra, depois de ter sentido aquele com o qual teve contato, e que já se deixou descobrir presencialmente.  É freqüente no folclore de todas as culturas que o raiar da aurora quebre o encanto, ou deixe impotente o personagem sobre-humano. Como na canção: “Amanheceu, peguei a viola e fui viajar”… De nome mudado para Israel, Jacó chama aquele lugar de “Fanu-El” (onde se pode ver o rosto de Deus), dizendo: “Vi Deus face a face e sobrevivi!”. Grande é o mistério da fé, dirá a liturgia reformada que reconhece “a presença real do Senhor” na mesa da comunhão (Calvino).

 

O sol despontava quando ele atravessava Fanuel (Gn32,32). A bênção de Deus, alvo para todo empreendimento de fé, é alcançada ao raiar  do dia, depois da noite tenebrosa, depois da luta para que Deus se revele, e participe das lutas humanas, pelos direitos, pela dignidade, em favor do bem-estar para todos.  Lutas em situações de risco, de desproteção, faltando de garantias; lutas contra a morte, pela liberdade e contra a opressão, onde quer que o homem esteja. Então, Deus se pronuncia no mistério abscondito, lugar oculto ao entendimento humano. Abençoa e se recolhe ao mistério calando-se novamente.

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