Derval Dasilio – Escritos&Artigos

25/09/2007

COMO VIVER NUM MUNDO SEM COMPAIXÃO?

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Uma festa para a massificação do consumo está em andamento, e ao mesmo tempo se exibe uma falsa privacidade. Sobram migalhas para os excluídos, mesmo quando ostentam celulares com mp3 e vídeos no youtube do Netinho ou outro qualquer. Ninguém pode mais concordar com Hegel, um filósofo muito interessante. É uma pena! Dizia que “a privacidade nos ajuda a viver num mundo sem compaixão”. Hoje, esse conceito não funciona mais, para muitos não há mais um mundo privado para reflexão. De que vale a privacidade num mundo assim? As casas são invadidas com todos os consentimentos possíveis, dos escalões mais altos do controle social aos chefes de família que não sabem mais dizer se chefiam ou são chefiados. A cultura utilitarista predomina, e como objetos comprados, descartáveis, do tipo “use e jogue fora”, os valores de uma ética de partilha e solidariedade são atirados no lixo sem o menor pudor.Um mestre da linguagem simbólica, Witgenstein, filósofo de grande importância na pesquisa da linguagem, falava de testar a fidelidade de um jornal, por exemplo:“Deve-se ler vários jornais de uma só vez, examinando a mesma notícia”. Televisão e Internet são maravilhas do engenho humano, o problema, no entanto, são os valores veiculados em substituição aos valores tradicionais sobre amor, solidariedade, compaixão e cuidado com o outro e a outra. Tudo é substituído por idéias voyeuristas que incluem o ser humano como mercadoria barata, além de afirmar isoladamente a falta de importância dos indivíduos.         

Karl Barth, considerado o maior teólogo da igreja cristã no século XX, calvinista, dizia em sua pregação: A Bíblia numa das mãos, o jornal na outra! Hoje, no século XXI, ele diria: um olho na Bíblia, outro na internet. O Orkut, que oferece uma comunicação extremamente superficial, onde uns poucos se esforçam por assegurar um mínimo de calor fraternal, é um exemplo disso. O grande valor da pesquisa interativa em tempo real, de fato, está em segundo plano, na internet.

As relações humanas como meio de preservar valores essenciais para a sustentação da vida coletiva, no entanto, são substituídas pelo sucesso individual. A voracidade pelo obsceno, a inveja, a ganância, o cinismo do “se dar bem”, com ou sem corrupção, tomam conta do cenário. Vivemos uma cultura sitiada pelo dinheiro, diz Jurandyr Freire, com exatidão. A própria expressão dessa frase irônica é admitida com cinismo, nesse assunto que não se quer discutir: “E daí, deixa de ser chato?” Alguns jovens, por outro caminho, nos perguntam. “E o que é que vocês, representantes do mundo maduro, adulto, têm para oferecer em lugar dessa realidade”? Têm razão, muita razão… um caminhão cheio de razões!

No Uruguai, ironicamente, uma prisão tem o nome de “Liberdade”, conta Eduardo Galeano. No Chile, nos subterrâneos da ditadura Pinochet, câmaras de tortura estiveram instaladas durante muito tempo com o nome “Colônia Dignidade”. Lembranças do tempo, como no Brasil, em que Vladimir Herzog, Paulo Wright, irmão de Jaime Wright, e muitos outros, conheciam os calabouços do autoritarismo, aprovado pela sociedade brasileira, e por religiosos católicos e protestantes, enquanto desapareciam nos porões da ditadura que dominou o país por vinte e um anos. Naquele momento, poucas décadas atrás, fórmulas de esterilização das consciências eram testadas nos porões do autoritarismo fascista. Hoje, “com açúcar e com afeto”, como diria Chico Buarque, máquinas para castrar e esterilizar as novas gerações estão na internet, e nos sites evangélicos, e no Orkut. Consciências artificiais, virtuais, declarando-se “avivadas”, “com propósito de servir a Cristo”, como dizem, comandam o mundo consumista dentro das igrejas. Computadores são máquinas de mentir, substituindo ou complementando a televisão.

Uma geração inteira encontra-se dopada, quando esta se encarrega de veicular os “novos valores”, sem nenhum controle. Molho de tomate (katchup), hamburguer, são alimento e sangue dessa nova cultura. Evangélicos abraçam o gospel como religião emocional. São inaugurados bares e boates gospel, para o compartilhamento cultural do novo jeito de ser evangélico. Jovens de outras tendências, possivelmente não-religiosos, extasiados, adeptos confessos da cultura rock, marcam os costumes das novas gerações com piercings, tatuagens, uso “quase livre” de drogas estimulantes, para vários fins, como os comprimidos de ecxtasy. Vale tudo, enquanto se convidam os jovens para esquecer a História, as lutas pela democracia e pelas liberdades civis, e direitos fundamentais do homem e da mulher. O passado não interessa, o presente justifica tudo. Comamos e bebamos, porque amanhã morreremos.Os rapazes e as meninas de nosso tempo acham que os direitos humanos conquistados com luta e sangue, muitas vezes, nada significam? As realidades ao redor não perturbam, pois ninguém lhes contou a história das escravidões, das consciências oprimidas, das imposições da cultura do capital, do individualismo contra a socialização das conquistas e dos bens econômicos e culturais. Breve, como nos cursos de sobrevivência na selva, os ensinamentos de sobrevivência na cultura urbana terão seu lugar garantido, ao que parece. Daí a máxima: só os mais fortes sobreviverão. Quem viver verá. (Derval Dasilio: Sobre Lobos, Demônios e Anjos).

20/09/2007

GOSTAMOS MESMO É DE TIRAR VANTAGEM EM TUDO…

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Escrevi um livro destinado aos jovens cristãos (Sobre Lobos, Demônios e Anjos, em preparo), dele extraí os comentários cabíveis ao evangelho de hoje. Não se exige talento ou capacidade crítica das condições sociais da maioria dos jovens, nem visão dos problemas da exclusão, miséria, raízes que alimentam a violência, corrupção, crime organizado ou delitos aleatórios. O que lhes é apresentado, na maioria das vezes, é uma miragem: enriquecimento fácil e sucesso, fama meteórica com resultados financeiros garantidos, na maioria das vezes. Sobre o futuro, não há o que pensar? Bárbara Soares, analista interessada no problema, afirmava no Jornal do Brasil, há pouco tempo, que tudo que procura atrair o jovem envolve essa questão. Não há um futuro, há um presente oferecido na base do perder ou largar. Os que sobram ficam à mercê de outros apelos, como o abismo das drogas, das contravenções e do crime consentido. Um articulista de prestígio, Hélio Gurovitz, elogiava a famosa lei de Gérson num artigo na revista Superinteressante (n.197,fev.2004), dizendo: “Gostamos de levar vantagem. Alguém aí teria orgulho em viver numa nação de otários”? Reavivando essa tal “lei”, que foi muito discutida há duas décadas atrás, ela é inspirada na publicidade de uma marca de cigarro que o jogador, depois comentarista de futebol, Gérson, um dos líderes da conquista do Tri-Campeonato Mundial da FIFA, juntamente com Pelé, Tostão, Rivelino, fazia, com uma frase emitida entre baforadas do tal cigarro: “Gosto de levar vantagem em tudo”. Essa frase levou comportamentalistas, sociólogos, psicanalistas, teólogos, educadores, a escreverem centenas de páginas sobre o despudoramento ético sugerido na mídia.O mesmo Gurovitz, recentemente, reafirmava: “Somos mesmo uma nação de indivíduos que só pensam em si mesmos e só querem levar vantagem”. Para ele, o miolo da “lei de Gérson” é a essência do caráter dos brasileiros (Gérson fumava, no anúncio da televisão, uma determinada marca de cigarro, enquanto dizia: ..“o que eu gosto mesmo é de tirar vantagem…”, sugerindo que, fumando aquele cigarro, qualquer um se daria bem na vida). “Nossa gente”, prossegue Gurowitz, “vive uma tensão entre duas forças. Por fora a imagem, com toda a sua pujança, mais vale a aparência”. Comportamento moral impecável, retidão irrepreensível. Por dentro, porém, predomina a força da lei de Gérson, afiança o articulista. Na hora do vâmo vê ninguém escapa, tem que tirar vantagem, senão é otário. E conclui: “Há algum mal nisso, qual o problema, se podemos ser espertos e felizes”? Quedamo-nos pasmos porque somos parvos, diante da ética de Gurowitz.

Daí conclui-se que o oportunismo, mesmo quando inocente e sem prejuízo para terceiros, é aconselhável para alguém que pretende subir na vida. Que é que você acha? No discipulado de um seguidor de Cristo cabe tal prática de vida (e não estamos mais falando de fumar a marca propagada pelo craque da seleção)? Por mim, fico perplexo, boquiaberto, caio de quatro, acho que a definição de hipocrisia (duas caras, falso rosto, máscara que esconde o sujeito verdadeiro, como sugere o termo original da literatura dos gregos da antiguidade) cabe mais ao que aconselha ao oportunismo, e à esperteza, que à defesa de valores relacionais ainda presos ao compromisso com os outros e as outras. Num mundo onde se ensina o individualismo como virtude, dá licença divergir de quem aplaude a hipocrisia?

Então, vamos contar uma fábula, dessas que o Millor Fernandes escreve com tanta habilidade. Na capa de seu livro “100 Fábulas Fabulosas”, obra de fino humor e grande inteligência, se lê: “Muito tempo antes do homem se organizar em Estados (homo politicus), já existiam lobos ferozes proibindo carneiros de beber sua água. O homem não tinha pensado em construir cidades, quando raposas finórias e sem escrúpulo arrancavam queijos do bico de corvos ingênuos. E quando o último homem apertar o botão (no apocalipse nuclear), haverá sapos coaxando nos pântanos cantando a glória e a sedução do lodo pantanoso”.No momento em que escrevia essas linhas, três anos atrás, um político dos altos escalões do Congresso Nacional, batista, um dos pastores da “bancada evangélica”, hoje bastante desmoralizada, o mais votado no estado em que moro, cuja campanha foi desenvolvida com a frase religiosa: “Ele é um homem de Deus”, confessa publicamente que recebeu um valor que se aproxima de um terço do total declarado à justiça eleitoral, do crime organizado e bingos. Acusados pelo Ministério Público de “lavagem de dinheiro”, inclusive em sua companhia, deputados eram indiciados pelo uso de dinheiro em suas campanhas políticas. Certo de que não fez nada de mais, o tal político ainda reunia assinaturas no Congresso Nacional para abrir uma CPI para apurar a “corrupção política”; para “investigar” justamente as fontes pagadoras de grande parte de sua campanha. Por que seria? Denunciado mais uma vez, dois anos depois – como também participante e beneficiário na famosa “operação sanguessuga” –, teve todos os processos arquivados no Senado Federal…

Lucas 16,1-13 – Curiosamente, o evangelho narra a parábola como a do “administrador injusto”, em muitas versões (Lc 16,1-8). Mas a leitura atenta aponta a “natural corrupção” no mundo dos negócios. Vale para a política (mensalão, operação sanguessuga, por exemplo…). Uma espécie de justiça paradoxal: perdoar dívidas, corrigir desonestamente dívidas grandes ou pequenas, negociar favores, absolver acusados de atos desonestos… e o principal interessado, o patrão “prejudicado”, corrigida a situação, elogia o administrador “versátil”. O paradoxo vem a seguir, na narrativa: “… quem é desonesto no pouco é desonesto no muito!”(v.10b). “Se com dinheiro sujo não fostes confiáveis, quem vos confiará o legítimo”(v.11)? Uma interpretação do elogio ao pé da letra favoreceria magistrados que decretam habeas corpus para grandes e espertos criminosos, como Salvatore Cacciola, fugitivo da justiça, novamente preso em Mônaco? Favoreceriam senadores que acusam ou defendem seus pares, de acordo com as circunstâncias, acusados de corrupção, em nome do corporativismo nos partidos da situação ou da oposição? Vejamos:

Uma vez terminada a revelação sobre a misericórdia de Deus (Lc 15,1-32), Jesus tem agora uma instrução para seus discípulos sobre o ‘dinheiro’ (16,1-31). Segue a seguinte estrutura narrativa: “Era um homem rico…”. Trata-se de um homem bem-posto, claro, que tem um administrador corrupto. Este também é de família rica, pois não sabe trabalhar manualmente e lhe causa vergonha pedir. Quando fica sabendo que vai ser demitido, começa fazer acertos com os devedores de seu senhor. A segunda parte do versículo é uma reflexão do relator ou de Lucas. Chamo a atenção do leitor, porque muitas vezes este trecho da Bíblia é usado para “justificar” no Evangelho a corrupção sobre o uso do dinheiro e práticas oportunistas. E seus argumentos, seguidamente, acentuam um interesse exacerbado para o enriquecimento: ter dinheiro e usá-lo para “se dar bem”: “O Senhor é rico e nós podemos ficar ricos, também”! O que é legal, admitido socialmente, politicamente, permanece mascarando o que é justo, na verdade. Um político famoso, consagrando o dito popular …“rouba mas faz”!, deu origem ao termo “malufismo”. Julgue você que me lê.

Ao que devia 100 medidas de azeite cobra apenas 50. Ao que devia 100 cargas de trigo, cobra apenas 80. Como interpretar essa atitude? É um ato de corrupção como havia sido tudo o que fez anteriormente ou se trata agora de algo legal? Possivelmente fez algo correto, pois o que o devedor devia ao seu senhor eram possivelmente 50 medidas de azeite; as outras 50 seriam provavelmente a parte que lhe cabia na cobrança. O mesmo pode-se falar das cargas de trigo. Com esta atitude, o administrador conquista para si os favores dos devedores. Uma questão fácil que não cai no vestibular que você já fez ou pretende fazer. Seguramente. Super e sub-faturamento, lavagem de dinheiro, parece não ser questão que se estuda na universidade.

A conclusão nos deixa perplexos: “O senhor louvou a atitude do administrador injusto porque havia trabalhado astutamente”. O ‘senhor’ que aparece aqui não é Jesus, gente!, mas, sim, “o homem rico” (sujeito da parábola contada…), que é chamado assim por três vezes durante o relato. No versículo seguinte (9), sim, é Jesus que fala (!), e por isso começa com um “eu” enfático. O método aplica-se ao material narrativo de Lucas, aqui, como W.G.Kümmel escrevia (Introdução ao NT, Paulus,1982), no qual podem ser reconhecidas, com clareza, três formas diversas de narrações, nos evangelhos: relatos como o da cura do cego (Mc 8,22-26), nos quais o milagre e sua realização ocupam o centro da atenção e neles Jesus interessa apenas como taumaturgo (Dibelius chama-os “novelas”).

PARA A PREGAÇÃO

Nota exegética: Há, por outro lado, ainda argumentando com Kümmel, narrações, como a da cura do homem com a mão ancilosada, em dia de sábado (Mc 3,1-5), nas quais a pessoa de Jesus e sua posição em relação a Deus, à Lei, etc., desempenham papel decisivo (Dibelius chama-os “paradigmas”, isto é, exemplos de pregação; Taylor chama-os, com mais precisão, “pronouncement stories”), ainda analisando com Kümmel. Estreitamente afins aos paradigmas são os “diálogos polêmicos”, situações parodoxais, ambigüidades aparentes, cujo impulso inicial não é uma ação, e sim um argumento (Auseinandersetzung). Aqui também o mais importante é a opinião expressa por Jesus (por exemplo, a controvérsia sobre o divórcio, Mc 10,2-9). Por fim, encontra-se uma série de narrações que foram descritas como “mitos” ou “lendas”, tais como o batismo e a transfiguração de Jesus (Mc 1,9-11;9,2-9). Visto que essas designações nada têm a ver com a forma, a descrição neutra de Taylor é mais adequada: “pronouncement stories”, na presente narrativa. A classificação da tradição dos ditos levou a resultados menos ambíguos, pois com certa segurança podem ser distinguidos: parábolas e pronunciamentos de Jesus (por exemplo, Mc 4,3-8; ditos sapienciais, regra áurea: Lc 6,31; ditos proféticos: Lc 12,32; Mc 9,1; interpretações legais: Mc 7,15; ditos cristológicos: Mt 10 34).

07/09/2007

JESUS DISSE: PERDOE OS INIMIGOS

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O perdão é a expressão máxima do verdadeiro amor (Lucas 6, 27-38).
Quem ama, entende a pessoa que o agrediu, até o extremo quase absurdo da desculpa do Crucificado: porque não sabem o que fazem (Lucas 23, 34). Quem ama, é também capaz de reconhecer seus erros, reparar o dano causado e reconstruir a comum+união avariada. Contudo, como é difícil perdoar! Parece que no fundo do coração humano a tendência à violência, à vingança e ao se afastar é intrínseco ao dinamismo genético que não nos deixa vivenciar a experiência do amor em plenitude.
O perdão é um processo de conversão. Para chegar a ele é preciso viver uma profunda experiência de Deus. Somente Deus é capaz de perdoar e nos habilitar para o perdão. Por isso, o perdão é a graça por excelência, de Deus para com seus filhos.


Mas o perdão exige também um processo no ofensor: em primeiro lugar, tomar consciência do dano causado com sua ação, atitude ou intenção determinada. É importante dar-se conta das conseqüências dos atos. Do contrário, estar-se-ia apostando na impunidade. Em segundo lugar, é necessária a confissão pública (não somente no foro interno) da infração, como parte fundamental do processo de conversão. Isto implica conhecer-se muito bem o dano que se causou à pessoa-vítima e à sociedade, em nosso caso, à comunidade eclesial. Algumas pessoas dizem que basta pedir perdão a Deus. Mas, dessa maneira, o processo fica incompleto. Torna-se necessária a ação pública, a confrontação e o diálogo, ao menos com o confessor, que representa a comunidade eclesial.
Vem, em seguida, a reparação pelo dano causado. Em alguns lugares se diz que “o que quebra, paga e leva os pedaços”. Ficaria incompleto o caminho se não se reparasse moral ou materialmente o mal que se fez. Do contrário, o processo penitencial não produziria os efeitos desejados na pessoa arrependida. E na vítima e na comunidade não se cumpriria com o princípio básico da vida social, que é a justiça: dar a cada um o que lhe corresponde.Requer-se, por último, o compromisso de não se reincidir na mesma falta. Isto não quer dizer que absolutamente não se volte a falhar. A condição humana é muito frágil e incerta. A fraqueza, a sedução e as tentações nos podem surpreender e arrebatar. Mas a decisão de não voltar a cair em falta deve ser inteiramente sincera.O mundo, dividido pelas guerras, ódio e miséria, necessita de remédios estruturais profundos e relativamente definitivos. E é aí onde os cristãos somos chamados a colaborar com nosso grãozinho de areia.

Davi, perdoa a seu inimigo Saul, tendo podido eliminá-lo sem maiores contratempos. Paulo, nos chama a viver no espírito pacífico e de reconciliação do novo Adão. Jesus, nos convida a viver o perdão como um exercício permanente de nosso compromisso cristão. Só através de um testemunho de perdão e reconciliação contínuos, pessoais e coletivos, conseguiremos derrotar as forças da violência, do ódio e da destruição da vida, em todas as suas formas e manifestações.

Ruy Barbosa: “Precisamos de leis que protejam o meu inimigo. Se elas não o protegem, também não protegem a mim”.

UM SERMÃO SOBRE O PERDÃO

Jesus vai em busca dos esquecidos
Lucas 15,1-10

O perdão é um processo de conversão, visto do nosso ponto de vista. Para chegar a ele é preciso viver uma profunda experiência de Deus, acreditamos. Somente Deus é capaz de perdoar e nos habilitar para o perdão. Por isso, o perdão é a graça por excelência, de Deus para com seus filhos. Mas o perdão exige também um processo no ofensor: em primeiro lugar, tomar consciência do dano causado com sua ação, atitude ou intenção determinada. É importante dar-se conta das conseqüências dos atos desviantes. Do contrário, estar-se-ia apostando na impunidade e na reincidência. Em segundo lugar, é necessária a confissão pública (não somente no foro interno) da infração, como parte fundamental do processo de conversão. Isto implica conhecer-se muito bem o dano que se causou à pessoa-vítima e à sociedade, em nosso caso, à comunidade eclesial. Algumas pessoas dizem que basta pedir perdão a Deus. Mas, dessa maneira, o processo fica incompleto. Torna-se necessária a ação pública, a confrontação e o diálogo, ao menos com o confessor, que representa a comunidade eclesial.

Dietrich Bonhoeffer, mártir do cristianismo sob o nazismo, ajudando-nos a entender as implicações da espiritualidade cristã a respeito do perdão, diferenciando-a da psicologia terapêutica, diz: “a psicologia conhece a miséria, a fraqueza e o fracasso das pessoas… mas não conhece a impiedade humana”! Duras palavras dirigidas à psicanálise. E acrescenta: “…a pessoa se arruína exclusivamente por causa do pecado, do desvio do mandamento de Deus (cf. acima); só poderá se curar pelo perdão”.

Mas seria isso que a parábola do evangelho deste domingo indica, além da necessidade dos discípulos dirigirem-se aos excluídos e tresmalhados do grupo protegido? Jesus, no entanto, não instrui os seus discípulos a que estes simplesmente esperem pelo perdão de Deus, mas mostra-lhes que Deus também se alegra com o arrependimento dos omissos quanto aos tresmalhados da comunidade do bem-estar. Em parábolas, ele descreve a alegria do pastor que achou a ovelha perdida, e a alegria da mulher que achou a dracma perdida, concluindo: “Digo-vos que assim haverá maior alegria no céu (isto é: em Deus) por um pecador que se arrepende, do que por noventa e nove justos que já não necessitam arrependimento” (Lc 15.7,10). A parábola do servo miserável (Mt 18,34), é exemplar: “Servo miserável, perdoei-te toda a dívida porque me pediste, não devias também compadecer-te do teu companheiro”? O evangelho também estabelece a medida: “se não perdoardes … o Pai também não vos perdoará as vossas ofensas!” (Mt 6,14-15). “Com a medida que medirmos seremos também medidos”(Mt 7,2).

Não está na hora de jogarmos a toalha, atirar para longe nossas trenas, metros, réguas e regras de sobrevivência? A coisa está feia para o nosso lado. No plano pessoal, que inevitavelmente se reflete no social, nós que cultivamos o sentido da justiça retributiva, meramente humana, quando muito, temos a frase pronta: “Aceito as desculpas, mas quem perdoa é Deus”! Ou: -“prefiro morrer que perdoar”. O Dalai-Lama, porém, não sendo cristão, também ensina: “Somente aquelas pessoas que criam problemas para nós nos dão a oportunidade de praticar a tolerância e a paciência…”, é claro que isso se estende ao perdão.

O perdão é a expressão máxima do verdadeiro amor (Lucas 6, 27-38). Quem ama, entende a pessoa que o agrediu, até o extremo quase absurdo da desculpa do Crucificado: Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem (Lucas 23, 34). Quem ama é também capaz de reconhecer seus erros, reparar o dano causado e reconstruir a comunhão avariada. Contudo, como é difícil perdoar! Parece que no fundo do coração humano a tendência à violência, à retaliação, não nos deixa vivenciar a experiência do amor em plenitude.

Na pregação de Jesus, Deus se manifesta como o Pai que há de agir no futuro, sobretudo pelo fato de conceder perdão aos homens (W.G.Kümmel, Síntese Teológica do NT, Teológica/Paulus, 2003): “E, quando estiverdes orando, se tendes alguma causa contra alguém, perdoai, para que vosso Pai celestial vos perdoe as vossas ofensas” (Mc 11.25). Tal qual no judaísmo, Jesus sabe que diante de Deus o homem está comprometido a servir sem restrições (Lc 17.7-10), e que o homem deve prestar contas de seus atos (Mt 24.45ss). O homem, no entanto, é “essencialmente mau”, dominado interiormente pela força do Mal que nele está, em oposição ao Bem, que toma nomes tradicionais como álibis éticos: satã, satanás, diabo, demônios (Mt 7.11 par.; 12.34) e não tem possibilidades de se libertar de sua culpa, não podendo, por essa razão, subsistir diante de Deus (Lc 18.13). O homem não pode salvar-se sozinho, sem Deus.

Por isso o maior infortúnio do homem diante da vinda do reino de Deus é a culpa implícita de cada um, razão por que também Jesus ensinou os seus discípulos a pedir pelo perdão dos pecados (Lc 11.4 par.), como correspondia ao costume judaico da oração. Segundo Joaquim Jeremias, Jesus recebera como seus hóspedes publicanos e “pecadores”. Como “pecadores” designavam-se: (1) pessoas que levavam vida imoral (p. ex. adúlteros, falsificadores, Lc 18,11), e (2) os que exerciam profissão desonrosa (isto é, uma profissão que notoriamente levava à desonestidade ou imoralidade) e aos quais, por isso, negavam-se os direitos civis (cargos públicos, testemunha em tribunais, como por exemplo os cobradores de impostos, pastores, tropeiros, vendedores ambulantes, curtidores). A pergunta dos escribas e fariseus, por que Jesus concedia comunhão de mesa a tais homens (?), não expressa admiração, mas é acusação a Jesus: – “ele é um ímpio”! – e, por isso, há uma exigência de que os seus seguidores dele se separem. O par de parábolas, com que Jesus responde, liga-se à contraposição homem/ mulher e também rico/pobre. De fato o dono do rebanho não é um homem muito rico.

Entre os beduínos, o tamanho do rebanho oscila entre vinte a duzentas cabeças de gado miúdo; trezentas cabeças já se tem no direito judaico como um rebanho descomunalmente grande. Como dono de cem ovelhas, o homem tem, pois, um rebanho de tamanho médio; ele próprio cuida delas (assim tb. Jo 10,11s), não podendo pagar ninguém para fazê-lo para ele. Ainda que não seja um Creso (cf. a lenda de um rico e poderoso rei da Lídia), é todavia remediado em comparação com a pobre viúva.

Também na parábola dos dois filhos (Lr 15.11ss) Jesus demonstra a alegria do pai ao avistar o filho que retorna para casa, o qual parecia estar perdido, mas que, não obstante, é recebido de braços abertos. O filho que retornava para casa vem de longe: Assim eu vos digo, Deus “se alegrará por um pecador que se converteu”. O ponto de comparação em Lc 15,4-7 não é a íntima ligação entre pastor e rebanho (como em Jo 10, o que, porém não vale para Lc 15,8-10 ); nem também a procura sem descanso (Mt 18,12-14), mas só e exclusivamente a alegria por encontrar o perdido. Assim como o pastor se alegra pela ovelha trazida de volta e a mulher pobre, pela dracma achada, assim também Deus se alegrará.

O futuro em Lucas (15,7) deve-se entender como referente ao fim dos tempos: Deus se alegrará no juízo final, quando ele puder anunciar a muitos justos a sentença de liberdade, mas incluindo o menor, o praticamente sem importância, o pecador que se dispõe à penitência. Deus se alegrará mais por isso. Assim é Deus. Ele quer a salvação dos esquecidos nos grotões da vida, incapacitados de concorrer com os “produtivos”, deixados para trás, excluídos. Eles lhe pertencem (que não se confunda aqui com o acento pietista, salvacionista, que associa a ovelha perdida e o rebanho com a comunidade eclesial); o seu errar lhe causou preocupação, alegra-se pela volta à segurança da casa, à proteção que já se dispensa a todos. Trata-se da alegria “soteriológica” de Deus.

É dela que Jesus fala, a alegria de perdoar, para salvar e libertar. É esta a apologia que Jesus faz do Evangelho: porque Deus é assim, de misericórdia incompreensível, a tal ponto que a alegria de perdoar é sua maior alegria, por isso o encargo de redentor é arrancar as presas de “satã”, e trazer de volta para casa os perdidos no emaranhado ideológico que explora o homem, desde a política, a economia e a religião (cf. nomes correlatos de Satanás, sua relação com a força do Mal que está no homem e na sociedade, concebida desde o judaísmo formativo, e sua angeologia nos escritos inter-testamentários; Interprerter’s Dictionary of the Bible; J-J von Allmenn, Vocabulário Bíblico, Aste, 2002, e outros). De novo temos Jesus, o representante de Deus, assumindo a missão de Deus de vivência do evangelho integral do Reino. Deus vai atrás do homem, tomando a iniciativa, para salvar e reconduzir ao redil aquele que necessita de cuidado, de segurança social, enquanto comunica que o perdão é parte essencial do evangelho de salvação e libertação.
——
Derval Dasilio

06/09/2007

DROGAS – O RUIM E O HORRENDO

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Rubem Alves

DROGAS – O RUIM E O HORRENDO
Sobre a proibição da venda de drogas

Diz a psicanálise que, quando um impulso consciente é proibido de se expressar e reprimido, ele não desaparece. A agência repressora, o superego, não tem poder para matá-lo. Pode proibir sua aparição pública, mas não consegue destruí-lo. Que acontece, então, com os impulsos proibidos? Eles passam a existir na clandestinidade. E é desse lugar clandestino, invisível, que eles burlam as ordens do superego e fazem seus ataques.As leis da vida social são idênticas. Quando algum impulso se manifesta como lesivo à sociedade, uma instância repressora, a lei, determina que ele seja banido. Mas, tal como acontece com a alma, os impulsos sociais reprimidos não deixam de existir. Simplesmente assumem um novo tipo de existência: tornam-se igualmente clandestinos. E, protegidos pela clandestinidade, burlam a lei e fazem seus ataques. No dia primeiro de janeiro de 1919 foi aprovada, pelo Congresso dos Estados Unidos, uma lei que proibia a fabricação, a distribuição e o consumo de bebidas alcoólicas. Essa lei foi o resultado de um longo processo de análise dos efeitos destrutivos do álcool sobre a vida social. Havia, em primeiro lugar, a condenação vinda da tradição religiosa puritana, para a qual a bebida e a embriaguez eram obra do demônio. Havia, em seguida, os fatos sobre os efeitos da bebida: alcoolismo, incapacidade para o trabalho, crimes, doenças. Era óbvio que a sociedade seria beneficiada se as bebidas alcoólicas fossem banidas. As pessoas se tornariam mais racionais, agiriam na posse plena de suas faculdades mentais, teriam condições para controlar seus impulsos destruidores e a vida social melhoraria. Sem álcool haveria mais progresso e mais harmonia. Aprovou-se, assim, a Lei Seca, e tomaram-se as providências para que ela fosse cumprida. Os Estados Unidos seriam um país sóbrio.Mas o resultado da Lei Seca foi o oposto do que os bem-intencionados legisladores dos Estados Unidos haviam imaginado. Sua intenção consciente foi abortada pela simples razão de que um mercado não pode ser abolido pela força de uma lei. Na clandestinidade, o mercado de bebidas alcoólicas floresceu e criou um monstro que os legisladores jamais haviam imaginado: um império gigantesco de dinheiro, crimes, corrupção, que se infiltrava em todos os setores da vida pública, tornando-se num verdadeiro Estado dentro do Estado. Foi o período áureo da máfia.

Comentando esse fato, o sociólogo Robert K. Merton observou: “Quando a reforma política se restringe à tarefa de ‘pegar os bandidos’, ela não passa de um ritual mágico.” Realidades não se abolem com proibições. As proibições apenas deslocam os seus lugares. Se as demandas existem, não é possível eliminá-las por meio de uma lei. Existindo demandas, elas encontrarão formas de ser satisfeitas. Em 5 de dezembro de 1933 a Lei Seca foi abolida. Os legisladores aprenderam a lição: o livre-comércio das bebidas, por dano50 que fosse, era incomparavelmente menos danoso do que o que acontece quando ele é reprimido.

Os legisladores norte-americanos pensavam que estavam decidindo entre o bem e o mal: bebida alcoólica é mal, abstinência é bem. Assim, por meio de um decreto, eliminariam o mal e estabeleceriam o bem. Infelizmente essa alternativa não existe. Freqüentemente as decisões a serem tomadas nos colocam diante das alternativas ruim e horrendo. Estamos, assim, diante da seguinte situação:

1)As drogas existem, há para elas um mercado imenso que movimenta milhões ou bilhões de dólares. 2)Não é possível eliminar esse mercado. Primeiro, pela demanda. Segundo, pelo dinheiro em jogo. 3)Encontramo-nos diante de duas alternativas. Primeira: as drogas simplesmente liberadas, com todos os seus males, à semelhança do que acontece com bebidas alcoólicas e cigarros. Segunda: as drogas e seu mercado proibidos legalmente, mas existindo na clandestinidade, com todas as suas florações de crime e corrupção. A primeira alternativa é muito ruim. A segunda é horrenda. 4)Se é verdade que o mercado das drogas não pode ser eliminado por meio de repressão, é verdade que as conseqüências da sua proibição podem. Basta que elas sejam tiradas da clandestinidade. Concluo, assim, que os males da liberalização das drogas são menores que os da sua proibição.

Não gosto dessa conclusão. Mas sou obrigado a considerá-la. Sei que ela faz estremecer muitas pessoas. Mas tais pessoas deveriam considerar o que acontece com a produção e o comércio livre de bebidas e fumo. Não tenho dados estatísticos. Mas tenho a impressão de que, quantitativamente, os danos da bebida, no Brasil, em termos de crimes, violência, desastres automobilísticos, doenças, são maiores que os danos das drogas. O fumo é também droga mortal. Só que seus efeitos são retardados e ninguém leva a sério as advertências do Ministério da Saúde… As drogas, liberadas, são um mal pessoal, médico, psicológico. Não liberadas, são um mal pessoal, médico, psicológico, acrescido de crime e da corrupção da vida pública.

Adolescentes foram pegos fumando um baseado. Conduzidos à delegacia, levaram uns tapas no rosto. Seus pais foram chamados. A proposta desavergonhada dos policiais: ou pagam cinco mil reais ou os filhos serão enquadrados na lei. Todos os pais pagaram. Por que não denunciaram? Porque a denúncia equivaleria a uma confissão do “crime” do filho. Não me agrada a idéia dos jovens como “reféns” permanentes dos policiais. Esse foi um incidente mínimo cotidiano, rotineiro, um pingo d’água no oceano de corrupção criado pela proibição das drogas.                                                                 —–                                                                                                                                         Rubem Alves

 

05/09/2007

PAI, PERDOA AS NOSSAS DÍVIDAS

Arquivado em: Uncategorized — Derval Dasilio @ 0:00p09

maos-que-ofertam.jpgPAI, PERDOA AS NOSSAS DÍVIDAS…A parábola do servo miserável (Mt 18,34), é exemplar: “Servo miserável, perdoei-te toda a dívida porque me pediste, não devias também compadecer-te do teu companheiro?” O evangelho também estabelece a medida: “se não perdoardes … o Pai também não vos perdoará as vossas ofensas!” (Mt 6,14-15). “Com a medida que medirmos seremos também medidos”(Mt 7,2). Acho que está na hora de jogar fora nossas trenas, metros, réguas. A coisa está feia para o nosso lado. No plano pessoal, que inevitavelmente se reflete no social, para nós que cultivamos o sentido da justiça retributiva, meramente humana, temos a frase pronta: “Aceito as desculpas, mas quem perdoa é Deus!”. Ou, “prefiro morrer que perdoar”. O Dala-Lama, porém, ensina: “Somente aquelas pessoas que criam problemas para nós nos dão a oportunidade de praticar a tolerância e a paciência”… é claro que isso se estende ao perdão.Dietrich Bonhoeffer, mártir do cristianismo sob o nazismo, ajudando-nos a entender as implicações da espiritualidade cristã a respeito do perdão, diferenciando-a da psicologia terapêutica: “a psicologia conhece a miséria, a fraqueza e o fracasso das pessoas… mas não conhece a impiedade humana!” Duras palavras, e ele acrescenta: “…a pessoa se arruína exclusivamente por causa do pecado, do desvio do mandamento de Deus (cf. acima); só poderá se curar pelo perdão”.

Citei um bocado de gente importante, teologicamente, não é verdade? Mas, o que significa, de verdade, perdoar? Creio que se trata de algo que só nós podemos fazer, ninguém pode perdoar em nosso nome. O contrário acontece com o evangelista, que nos disse: “aquilo que ligardes na terra será ligado no céu”. Logo, ao afastarmos a amargura, o sentimento de retaliação ou represália, de vingança, alcançaremos uma grandeza que só o evangelho nos concederá. E nos elevaremos, e de cima, abstraindo-nos do mal que sofremos pelas ofensas originadas de tantas situações, poderemos contemplar o ofensor com os olhos da tolerância e da misericórdia. O ofensor está preso ao seu ato, tem de reparar o mal feito de alguma forma, ele pecou contra o irmão. Isso é uma dívida para ser ressarcida em qualquer tempo.

Perdoar é reconhecer uma abertura infinita, em nós e em quem nos ofende, por isso não se pode reduzir a questão a um virar as costas e ignorar as conseqüências da ofensa. Perdoar significa libertar o ofensor de sua dívida, mesmo quando o mesmo não deseja sair do compartimento em que está preso. É permitir que o amor flua de novo, sem torneiras fechadas; é permitir que a generosidade tome o lugar da avareza que temos de entregar ou repartir o amor que recebemos do Pai. Por isso oramos: “Perdoa as nossas ofensas assim como perdoamos os nossos devedores… e não nos deixes cair em tentação (de não perdoar), mas livra-nos do mal”.

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